Predador Acordei antes mesmo do despertador tocar. Não foi barulho que me acordou, foi aquela sensação estranha no peito, como se alguma coisa fosse acontecer. Quem vive na guerra aprende a sentir quando o dia não vai ser normal. Levantei da cama, passei a mão no rosto e fui direto pro banheiro. Joguei água na cara, me olhei no espelho e fiquei alguns segundos parado me encarando. Fazia uma semana que eu e o Fernando não nos falávamos. Uma semana desde a briga, uma semana que ele tinha saído da boca e o morro já estava sentindo. Desci, tomei café rápido, peguei o rádio e o celular e saí pra dar uma volta pelos pontos. Tinha movimento, mas não era a mesma coisa. Quando o F2 estava comigo, tudo funcionava redondo. Cada um sabia seu lugar, cada arma no lugar certo, cada beco com gente

