Predador Quando a gente chegou no posto o tempo pareceu travar de um jeito estranho, porque por mais que tudo estivesse acontecendo rápido por fora, por dentro cada segundo pesava como uma hora, e eu via isso no olhar da Léo enquanto a gente atravessava aquele corredor frio, iluminado demais, com cheiro de remédio e tensão no ar. Ela estava em silêncio. Mas não era um silêncio qualquer, era o tipo de silêncio que vem antes de desabar. A gente ficou ali esperando. Sem notícia. Sem resposta. Só o som distante de gente andando, porta abrindo, equipamento sendo arrastado. Os minutos foram virando horas. E nada. Eu andava de um lado pro outro. Parava. Olhava pra porta. Voltava a andar. Enquanto ela ficou sentada por um tempo, depois levantou, depois voltou a andar também, como se n

