Os olhos de Ahmed correm o contrato e a cor vai fugindo do seu rosto conforme ele vai lendo. Ele se segura no sofá para não cair e eu fico firme para não ir até lá e ajudá-lo a se sentar. Só falta o velho enfartar agora. Penso ofegante, angustiado, preocupado. Meu pai se senta e rasga o contrato. Eu tenho a frieza de rir. —Você não acha que te dei original, acha? Isso é a cópia. E isso é um dos clientes. Eu tenho trinta deles. —Você tramou nas minhas costas e me apunhalou sem dó. —E você? Estava pronto a me puxar o tapete. Eu só me antecipei a situação. Meu pai se levanta do sofá, suas forças parecem renovadas. Ele pega um vaso que voa na minha direção. Eu me esquivo na última hora, o vaso se arrebenta no chão. —Saia agora da minha casa! Da minha vida! Da nossa família! Eu não tenho

