Não podemos prever uma furacão, foi isso que senti ao ver Murat entrando no meu quarto e fechando a porta com um sorriso devastador. Agora ele está de short preto e camiseta branca, uma sandália de couro nos pés.
Imediatamente dou um salto e fico em pé do outro lado da cama, puxando o lençol para cobrir minha camisola branca de cetim. O encaro, enrolada a ele.
—O ...que você está fazendo aqui?
Murat ainda sorrindo fecha a porta, parece estar se divertindo muito com meu gesto assustado. Seus olhos então focam a televisão ligada e ele olha para mim.
—Para quem estava com dor de cabeça, você me parece muito bem...
—Você veio checar se eu estava com dor de cabeça?
Ele se encosta a porta e cruza os braços e me olha com seu sorriso maquiavélico.
—Pensei que estivéssemos nos entendendo, Ester.
O desejo de seu olhar quase quebra meu autocontrole.
—Entendendo? —Eu o questiono furiosa comigo mesma por ter permitido que ele me beijasse. Agora ele acha que pode fazer o que quer. —Um beijo roubado não significa nada!
Seu sorriso some e seu rosto endurece.
—Beijo roubado? Você sai beijando todos por aí?
Meu coração acelera. Um rubor quente cobre meu rosto.
—Não! E para começo de conversa, não fui eu que te beijei, foi você que forçou uma situação.
Murat ri, então gargalha.
—Allah! Ester! Eu forcei uma situação?
Então dá um salto na minha cama e num minuto está ao meu lado. Eu estremeço numa mistura de medo e desejo. Seu perfume no meu nariz e seus olhos negros nos meus tem quase um efeito hipnótico.
Ele meneia a cabeça.
—Você adora me colocar no papel de vilão, não é mesmo? Só que fica me dando sinais que quer o mesmo que eu. Eu já disse que detesto jogos. E você está jogando comigo.
Eu dou um passo para trás.
—Jogos? Você no fundo acha que estou aqui para te conquistar me fazendo de difícil agora e balançando a isca.
Sua respiração se agita. Frieza cinzela em seu olhar.
—Não quero pensar quem sou, quem você é. Nem o que você está fazendo aqui. Quero apenas que as coisas aconteçam entre nós.
Deus! Este homem se chama ameaça, e eu nunca experimentei nada diferente da segurança até conhecê-lo....
—Saia do meu quarto agora! Desculpe-me se te passei a impressão errada. Eu errei! Está bom assim? Errei de ter me deixado levar pelo momento.
Ele funga, como se exercitasse a paciência comigo. Como se a errada fosse eu e ele o certo.
—Você me teme, Ester. Eu entendo. Eu provoco sensações intensa no seu corpo. Elas te assustam.
Eu rio da cara dele, mas sei que é de nervoso, pois ele disse exatamente o que eu sinto.
—Você é muito convencido!
Ele se aproxima de mim como uma cobra sinuosa e me enlaça pela cintura. Estremeço. O medo se transforma em pânico. Eu fico o olhando como um passarinho assustado.
—Eu sou muito prático, sincero. É bem diferente de convencimento. Falo o que sinto.
—Você ficou com uma imagem errada de mim. Não sou essa mulher que você imagina.
—Eu te dei a oportunidade de me falar sobre você!
—Você acha que eu caio nessa? Você está louco para me convencer de ir para a cama com você novamente. Você está pouco me lixando com a minha história! Eu sei onde é o meu lugar. Não sou uma iludida.
—Seu lugar? Temos lugares por acaso? Se não se sentisse tão inferior iria ceder apostar para ver o que vem depois. E se eu quiser investir nessa relação? —A voz aduladora de Murat chega rouca aos meus ouvidos me provocando calafrios.
Não! Não! Não caia nessa! Ele quer quebrar suas defesas.
—Hah! E você quer? —Questiono incrédula.
—Não sei...você não me dá oportunidade para saber. —Ele diz beijando meu pescoço. —Como você cheira bem Ester...
Milagrosamente minha cabeça funcionou de forma bem clara e eu o empurro com raiva. Embora meu coração bata forte e meu coração arda pela forte atração.
—Isso é um erro!
Murat me olha ofegante sem dizer uma palavra. Ele fica como uma estátua me olhando. Todo orgulhoso brilhando pela luz da televisão.
Sei que ele não é um homem que aceite um não como resposta. Não sei como ele vai lidar com isso.
—Erro é o que está cometendo! —Ele diz, seco.
—Não me sinto errando. Sou uma empregada fazendo meu serviço. —Digo confiante, mantendo o lençol bem preso ao meu corpo.
Ele sorri diabólico.
Não gosto desse sorriso!
—Adoro provar o quanto está errada...
Ele puxa o meu lençol e antes que eu dê um grito seus lábios esmagam os meus num beijo quente, eu estremeço em seus braços. Enquanto sua boca sujeita a minha e me devasta. Sua língua visita cada parte dela, me provocando, dançando, tremulando. Suas mãos deslizam nas minhas costas envolventes me trazendo mais para ele, me fazendo tremer de desejo. Seu calor radiante atravessa o tecido fino da minha camisola, seu cheiro maravilhoso me envolve embotando meus pensamentos.
Então uma de suas mãos escorrega até o meu bumbum e o aperta e depois ele a desliza e ergue a minha perna, encaixando meu corpo melhor no dele fazendo eu sentir a potência latejante no meio de suas pernas.
Nunca me senti assim, meus sentimentos tão dominados por um homem. Desesperadamente começo a puxar de dentro de mim pensamentos negativos, pessimista com relação a isso: Esse homem só quer uma coisa de você, sexo! Ele irá devastar seu coração e quando você quiser muito mais que isso, ele te lançará fora da vida dele.
Como que acordando de um pesadelo eu começo a empurrar Murat.
—Não! Não! —Digo e por fim consigo me desvencilhar dele.
Murat
Eu a encaro ofegante. Luxúria corre como lava quente em minhas veias.
O gosto dela ainda está na minha boca juntamente com a p***a dessa sensação de vazio com sua rejeição.
Suas unhas se afundaram na minha camiseta enquanto eu a beijei. Ela se contorceu em satisfação e em nenhum minuto me resistiu, ao contrário, ouvi seu gemido contra a minha boca conforme eu aprofundei o beijo. Mas só. A maldita me deu apenas um vislumbre de como seria se eu a possuísse novamente.
Rosno sob a minha respiração e dou um passo para trás sem conseguir olhar para ela de tanta raiva que estou. Desde que ela entrou na minha vida me sinto um drogado, me virando contra tudo o que que considero importante, tudo o que tenho abraçado como disciplina, autocontrole.
Como eu posso ser o cara frio que me preparei para ser, se meu desejo é contra mim, meu sangue corre denso desejoso por um pouco mais de seu sabor?
Eu a encaro. Ela me olha ofegante, os olhos arregalados, posso ver o desejo brilhando em seus olhos mesmo com seu "não".
Meus lábios torcem em um sorriso prevendo o final dessa história. Ela vai ceder. É questão de tempo. Nossa atração é maior que nós e ela sabe disso. O grande prêmio é aquele que exigiu muito esforço para ser conquistado.
—Tudo bem Ester. Nunca precisei forçar nada, sempre tive tudo de bom grado. Não é agora que vou forçar algo. Mas eu te digo, e isso é uma promessa. Desejo reprimido só tende a aumentar e quando isso acontecer você virá até a mim, não ao contrário.