Minutos antes...
Ester
Vejo Murat saindo de braço dado com Hazal.
Encenação?
Sei...
Ele pensa que me engana.
Meu lábio inferior treme. Sinto-me em guerra de sentimentos: tristeza, necessidade e frustração.
Começo a retirar a mesa com a ajuda de Norma. Entro na cozinha e coloco os pratos em cima da pia, quando eu me viro dou com o senhor Ahmed Çelik entrando na cozinha. Altivo, exalando poder, autoconfiança. Elegantemente vestido em um terno bem-cortado que caí com perfeição nos ombros largos. A camisa branca, impecável.
—Norma, você pode nos deixar às sós um instante.
—Sim, senhor Çelik.
Sua figura imponente me inibe, seus olhos direcionados para mim são os mais gélidos que eu já vi em um homem.
—Vou ser bem direto. Percebi o jeito que Murat te olha. Ele chegou a dar em cima de você? —Ele questiona a voz carregada de sotaque.
Ofego. O que menos quero é complicar a vida de Murat.
—Não. —Minto.
Ele ergue uma sobrancelha cética para mim e me estudou por alguns momentos antes de dizer:
—Vou fazer que acredito. Bem, se ele jogar seu charme pra cima de você, um aviso, ele costuma dar em cima de todas as empregadas bonita. Por isso não se sinta especial, pois você não é. Corta isso. Se eu notar alguma coisa entre vocês dois, você será mandada embora.
O encaro me sentindo pouco à vontade com ele.
—Sim, senhor. Não se preocupe. Eu sei muito bem onde é o meu lugar.
—Ótimo!
Quando ele sai da cozinha eu me sento trêmula na cadeira. Inspiro fundo e fecho os olhos, pensativa.
Embora eu saiba disso, é difícil admitir. Ele está certo. Ele é turco, está defendendo suas tradições. Murat vai acabar se casando com uma moça de sua cultura e eu vou ficar com o coração partido.
Norma entra minutos depois.
—O que ele queria?
Solto um longo suspiro.
—Ele acha que Murat está se engraçando para o meu lado e me colocou no meu lugar.
Norma se aproxima mais de mim.
—A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. Ester, o senhor Çelik é muito astuto se ele viu algo é porque aí tem. Fica esperta com Murat, ele não falaria isso por nada.
—Tudo bem. Ficarei esperta.
— E Murat, deu em cima de você mesmo?
Controlando meu nervoso a encaro com o semblante sério.
—Não. —Minto novamente.
Norma faz gesto com a mão de bobagem.
—Bem, então não há nada para você se preocupar. Vamos dar um jeito nessa cozinha então.
Eu assinto e me levanto da cadeira e vou direto para a pia terminar meu serviço.
Deus! Preciso ir embora. Não dá para trabalhar nessa casa!
À noitinha, depois de um dia cheio, estou na janela do meu quarto olhando para fora. Hoje o céu está nublado e venta muito. Meu quarto está quente, mas de madrugada irá esfriar. Vou pegar um cobertor que vi no armário. Estou pensando nisso quando saio da janela. Então a porta se abre do meu quarto e Murat surge no meu quarto. Ele fecha a porta e me encara.
Ele está deslumbrante, todo de preto, calça e camisa sob medida. Os cabelos molhados pelo banho. Engulo toda a minha raiva com a vontade de gritar. Não consigo deixar de tremer de nervoso com sua atitude.
—O que você quer? —Digo, irritada.
Ele me olha em silêncio e se aproxima. Fecho os punhos, disposta a me defender.
Mas que droga!
—Não precisa ficar na defensiva. Só quero conversar com você.
Ofegante digo:
—Falar comigo? Não podia esperar até amanhã?
Ele me dá um sorriso sexy.
—Não se faça de desentendida. Meus assuntos não são a cozinha, nem tão pouco seu serviço.
Eu cruzo os braços sobre meu peito.
—Seu pai me procurou. Ele ameaçou me mandar embora. Ele percebeu seu jeito comigo.
Murat
As palavras dela me fazem ofegar, eu me encho de ira. Desvio os olhos dela tentando controlar toda a minha raiva. Sinto-me às vezes como um animal enjaulado, que precisa conter toda sua fúria porque vê as grades.
Eu a encaro novamente.
—Ele te humilhou?
—O que acha? —Ela questiona.
Ofegante passo o olhar por seu cabelo sedoso, sua camiseta branca que revela seus s***s redondos e que combina muito com a calça jeans agarrada que ela usa. Então reparo na sua mão delicada de dedos finos com unhas sem pintura.
Terrivelmente atraído eu me aproximo dela, com vontade de beijar sua boca. Um desejo tão forte e avassalador que mesmo com seu passo para trás, fugindo de mim, eu avanço direcionando todo o meu olhar quente e penetrante dizendo exatamente o que eu quero.
Seguro firme sua cintura e a puxo de encontro ao meu peito, enquanto a outra entra em seu cabelo na nuca e segura forte sua cabeça, imobilizando-a para mim. Antes de beijá-la eu a encaro por uns instantes, segurando seu olhar no meu, a queimando com meus olhos. Meu rosto se aproxima do seu e a minha boca da sua. Mas não a beijo de imediato, eu passo meus lábios sobre os dela, sentindo a textura macia deles e que tanto adoro. Ouço seu arfar saindo de sua boca. Eu a olho, seus olhos verdes são duas esmeraldas grandes e brilhantes, agitada, excitada, abalada.
Quando estou para tomar sua boca com volúpia e paixão.
Sinto a dor aguda no meu saco!
Allah!
Ela me deu uma joelhada, merda! Eu a solto ofegante e envergo o meu corpo com dor. Levo a minha mão lá. Sento-me na cama com tudo latejando.
Não acredito nisso! Ela me deu uma joelhada?
Minha respiração se torna mais pesada mais com raiva agora do que com a dor.
—Eu não acredito que você fez isso mesmo? —Digo num tom abafado.
Eu procuro seus olhos. Ela me olha com a respiração irregular, as faces coradas, os olhos brilhando nos meus. Seu olhar é angustiado agora.
—Eu não queria te machucar, Murat. Mas sua atitude me obrigou a isso. Você não me deixa escolhas.
Fico a olhar para ela ainda sem acreditar no que ela fez. Blasfemo em turco. E digo irado:
—Eu não vim aqui para te beijar. Eu vim para conversar. Só que toda vez que estou com você eu perco a razão, levado por instintos que me entorpecem. Ainda mais com sua visão tão sexy nessa camiseta branca agarrada.
—Vou facilitar para você. Resolvi sair dessa casa. Na minha folga vou procurar emprego em outro lugar.
Eu a olho ofegante, meu coração se enche mais ainda de ira. Mas que merda! Meu pai não pode vencer dessa vez. Eu me levanto com tudo dolorido.
—Meu pai te intimidou tanto assim? O que ele te disse?
—Não, antes dele falar comigo, eu já tinha resolvido.
Ainda estou com a fome voraz de unir seu corpo ao meu me consumindo. Mas muito mais que isso, sinto meu peito se apertar com suas falas. Observo-a atentamente.
—Não quero que vá. —Digo, ofegante, com o rosto sério, compenetrado.
—Isso não é um assunto a ser discutido. Está resolvido.