Duda Narrando Peguei uma van e voltei pro Morro. Desci na entrada e subi com um dos meninos que tava na contenção, de moto. O vento frio da noite batia no meu rosto, e a adrenalina subia junto com a sensação de estar voltando pro meu território. Passei pelos becos estreitos, iluminados apenas pelos postes precários e luzes das casas, até chegar na minha. Assim que abri a porta e acendi a luz, tomei um susto. — Ai, que susto! — soltei um grito e levei a mão ao peito. Nobre tava sentado no sofá, no escuro, só me esperando. Ele sorriu de lado, aquele sorriso que me dava calafrios e ao mesmo tempo um conformismo. Levantou a mão e me chamou com um gesto. Fechei a porta atrás de mim e fui até ele. Assim que me sentei no seu colo, ele enfiou o rosto entre os meus cabelos, respirando fundo.

