Capítulo 3 - Milena .
Milena narrando.
Tudo que eu mais queria agora era abri os meus olhos e ver que eu tava sonhado , que eu não estou em um ônibus indo para a casa da minha vó , com uma dor no peito que parece que o meu coração vai para a qualquer momento.
Meu nome é Milena e eu tenho 22 anos , quase 23 , eu nasci no alemão , mais fui morra em Minas ainda criança, e eu não sei por que , mais o meu pai e a minha mãe sempre disse que eles queria uma vida calma , e no alemão, isso não seria possível , a minha vó ficou , e quando eu ainda era criança, eu fui umas duas vezes visitar ela com a minha mãe, e da última vez , eu fiquei um tempo com a minha vó, e depois ela me levou de volta e ficou ums dias lá com a gente.
Eu cresci cercada de amor , e carinho dos meus pais , pelo menos era isso que eu pensava , o meu pai pra mim sempre foi o meu herói , ele sentava no chão pra brinca comigo de boneca , ele deixava eu brinca de salão com ele como cliente , e pra mim a minha infância tinha sido perfeita , mais eu descobri que nada nesse mundo é perfeito, que tudo é uma ilusão.
E a família que eu pensava ser perfeita e na verdade podre por dentro e por fora , e eu espero que a partir de agora eu consiga viver sem todas as dores que eu carrego .
Eu sei que viver no alemão não vai ser fácil, que ver o morro com os olhos de uma criança que só veio visitar , e uma coisa totalmente diferente de se viver como adulta, e o meu plano é fica no morro com a minha vó, só até eu coseguir um emprego , fora do morro, e ir embora, até por que pra minha vó, eu tô indo só passa ums dias com ela , e não pra morrar .
Eu desço do ônibus , e o ar do rio de Janeiro já invade os meu pulmao , e é como se eu tivesse voltado a respirar outra vez .
Eu sei que o mar não fica tão perto da rodoviária , mas mesmo assim eu quero ir lá antes , pra ver que a agua leva um pouco da dor que eu carrego, e por isso eu fui até o banheiro e troquei de roupa , e depois eu fui até o guarda volume e coloquei as minhas coisas lá , e peguei o meu celular e chamei um uber pra ir até a praia .
Xx - bom dia senhora, pria da barra né?
Milena - bom dia , sim é pra lá mesmo .
Xx - certo .
Ele liga o carro e saí da rodoviária, e eu fico olhado pela janela, perdida em meus pensamentos.
Xx - você não é daqui né?
Milena - na verdade eu nasci aqui , mais estava morando em minas .
Xx - veio pra passear ou voltou pra fica ?
Milena - pra fica .
Xx - deixa eu adivinha , acabou de se formar na faculdade, e arrumou emprego em um hospital grande aqui do Rio ?
Milena - não , eu não sou médica, eu vim sim para trabalhar, mais não tenho emprego ainda , eu vou fica um tempo com a minha vó até cosegui um .
Xx - você não me é estranha , parece que eu já te vi , mais você disse que não é daqui .
Milena - a última vez que eu vim aqui , eu tinha ums dez anos eu acho , então deve ser alguém parecido comigo .
Xx - pode ser , mais é aí, você vai fica pela barra mesmo ?
Milena - quem dera , mais por enquanto não , a minha vó mora no morro do alemão, e é lá que eu vou fica .
Xx - jura ? Então a gente pode se esbarrar por lá, por que eu também morro lá.
Milena - você tá falando sério? Será que você conheça a minha vó ?
Xx - pode ser que sim , qual o nome dela ?
Milena - Maria da Graça.
Xx - p***a , eu acho que sim , ela faz doce não é ?
Milena - sim, ela faz .
Xx - pronto , eu conheço, quando você chega lá perguta pra ela do Carlinhos , ela vai sabe quem é, por que as vezes eu faço umas e entregas pra ela .
Milena - nossa que coincidência .
Carlinhos - muita , e se tu quizer , eu te levo no morro, por que vai ser difícil de cosegui uma corrida pra lá, e os uber para um pouco longe .
Milena - mais eu não sei que horas eu vou pra lá ainda .
Carlinhos - faz assim , anota o meu número , e quando tu for tu me manda mesagem.
Milena - tá bom .
Eu anoto o número dele , e seguimos caminho conversado , até ele parar em frente ao mar .
Carlinhos - toma cuidado Milena , o Rio é perigoso, ainda mais na praia .
Milena - eu vou toma , obrigada.
Eu desço do carro , e já vou pra areia , eu não trouxe muita coisa , na verdade , eu trouxe só o meu celular e documento , e a chave do guarda volumes da rodoviária, e um vestido pra troca quando for embora então tá traquilo .
Eu fui andado pela areia , até fica bem perto da água , e eu me sento e fico olhado pro mar , e depois de ums minutos eu me levanto e vou até a água e mergulho , uma , duas , três vezes , e cada vez que eu mergulho , eu pesso a Deus pra levar a dor e as lembranças embora juntos com as lágrimas que eu deixo cair .
Eu fiquei um pouco na água, só deixando as ondas me levar pra lá e pra cá, assim como a vida fez comigo todo esse tempo .
Depois de um tempo eu saio da água , e volto a me senta na areia , eu deixei a bolsa com o vestido na areia , e só levei o celular. Em uma bolsa própria pra água .
Eu peguei o meu celular , e vi que tinha uma mesangem da minha vó, perguntando se eu já tinha chegado , e eu disse que sim , e que já estava indo pro morro. E eu aproveitei e perguntei do Carlinhos , e ela disse que ele é do morro , e eu fiquei mais tranquila , e já mandei mesagem pra ele perguntando se ele tava por perto , e ele disse que tinha acabado de deixa um passageiro perto e estava vindo , e eu já tirei o vestido que eu tava , e coloquei o outro por cima do biquíni que eu tava , e já fui pro mesmo lugar que ele me deixou , e quando ele parou o carro eu entrei .
Carlinhos- direto pro morro, ou você vai pra outro lugar?
Milena - eu preciso volta pra rodoviária, minhas malas estão lá.
Carlinhos - então vamos .
Ele sai com o carro , e quando ele parou ns rodoviária , ele perguntou se eu queria ajuda com as malas , mais eu disse que não, por que não era muita coisa , e ele ficou ne esperando no carro , e eu fui pega as minhas coisas , e aproveitei e troquei de roupa , e voltei pro carro e assim que eu entrei , ele já ligou e saiu do estacionamento , e foi direto pro morro .
Milena - falta muito pra chegar ?
Carlinhos - não, ums dez minutos só.
Milena - vou avisar a minha vó.
Eu mando mesagem pra ela que diz , que já está indo pra barreira , e eu guardo o celular .
Assim que o carro parou na barreira , eu já vi a minha vó, e abri a porta do carro , e desci e fui correndo até ela que me abraçou forte, e pela primeira vez depois de muito tempo , eu me senti segura outra vez .
Eu nem me lembrei de pegar a mala , e muito menos de pagar a corrida , e quando eu vi o carro indo embora foi que eu me lembrei , mais o menino disse que tava tudo certo.
Quando ele falou que eu tinha que ir na boca , eu fiquei com medo , mais a minha vó disse que era só pro dono me passa as regras , e eu fui , e quando eu vi os dois homens na sala, eu fiquei com mais medo ainda, por que eu não gostei do jeito que eles me olharam , por que era um olhar de malícia, e maldade ao mesmo tempo , e eu só espero que a minha vinda pro morro tenha sindo a minha liberação, e não uma nova prisão .
continua . . .