Capítulo 12 Felipe .
Felipe narrando .
Filho da p**a , quem esse desgraçado acha que é pra chegar aqui no murro dando ordem e falando quem tem que fazer o quê ?
Eu ia bater de frente com ele e dizer que o Davi não ia ser promovido coisa nenhuma, mas o meu pai me repreendeu com o olhar , e mesmo não querendo eu tive que ficar a calado , mas se o Davi pensa que ganhou alguma coisa, ele tá muito enganado , porque ele vai perder. E vai ser tudo de uma vez.
Felipe - por que o senhor não disse não ? Por que aceitou essa palhaçada?
Valente - baixa bola p***a , tu tá falando com o teu pai .
Cris - ele tem razão , por que você aceitou isso?
Valente. - por que não tinha o que fazer, ele é o chefe do comando e eu não tenho que bate de frete com ele , se não eu perco o morro.
Felipe - eu não aceito isso, ele não merece nada , e se ele for gerente vai ser só mais um passo pra ele se o dono.
Valente - eu ainda tô vivo p***a , e enquanto eu viver, o morro é meu .
Ele fala bravo e vai pra dentro .
Felipe - por que você tinha que ter trazido ele do hospital ? Por que você não deixou ele lá.
Eu falo pra minha mãe e também saio , mais eh vou pra minha casa .
A minha mãe me contou que o Davi, não e filho dela , que ele é filho de uma amante que o meu pai teve , e nasceu no mesmo dia que eu , e ela morreu , e ela ficou com dó e disse pro meu pai pega ele , mais depois ele descobriu que ela enganou ele e que o meu pai não era pai dele, mais mesmo assim eles ficaram com o Davi, xe por mim eles deveriam ter jogado ele no lixo .
Eu cheguei em casa , e me joguei no sofá e apaguei, por que eu não tinha dormido na noite passada, e eu tava com tanto ódio que foi bom eu ter dormido se não eu ia fazer uma besteira.
Quando o dia amanheceu eu já pulei do sofá e eu dormi à tarde e a noite inteira .
Então eu já fui até o banheiro tomei um banho troquei de roupa e já saí de casa e dessa vez eu não fui pra casa dos meus pais eu fui até a padaria , Chegando lá e eu pedi um café por mesmo e tomei e já fui pra boca .
Eu fiquei esperando o Davi aparecer mas ele não apareceu , Então eu passei o rádio perguntando onde que ele tava e ele disse que tava na barreira no posto dele , E eu mandei ele vim pra boca , E ele disse que já estava vindo e eu fiquei esperando .
Quando ele entrou na minha sala, eu disse pra ele que ele ia ser o gerente de transporte, ele que ia liberar e receber carga, e quando precisasse ele ia junto. .
E por mim ele não teria merda de cargo nenhum mas eu pensei nesse porque quem sabe eu tenho sorte e em um desses transportes ele acabe caindo e assim eu me livro dele .
Depois que eu disse pra ele tudo que ele ia fazer eu mandei ele esperar uma caga que tava pra chegar .
E ele saiu da minha sala e logo em seguida o meu pai entrou e eu disse pra ele o que tinha feito e ele disse que eu tinha feito a coisa certa e depois saiu da minha sala e eu fiquei esperando o rádio. Anunciando que a carga já tinha chegado .
Mais a carga não chegou.
Não era qualquer carga. Era dinheiro, arma e nome envolvido. Gente de fora confiando na gente. Meu pai confiando em mim. E quando uma coisa dessas some, alguém precisa pagar. Simples assim.
Eu chamei o Nando no rádio e ele disse que o Davi tinha cancelado a entrega
E o meu sangue ferveu na hora e eu chamei ele no rádio e mandei vim pra boca .
Ele chegou calmo demais. Sem pressa. Sem medo. Isso me irritou. Quem não deve, teme do mesmo jeito aqui. Porque ninguém é inocente nesse lugar.
Felipe - A carga não chegou — eu disse, direto, sem rodeio.
Ele me encarou. Não desviou o olhar.
Davi. - Eu sei.
Ele só falou isso , sem desviar o olhar do meu .
Felipe - E voce Quer me explicar por quê ?
Ele respirou fundo antes de responder. Como se estivesse escolhendo as palavras. Como se ainda existisse escolha.
Davi — Porque eu mandei ele não subir.
O silêncio caiu pesado. Denso. O tipo de silêncio que deixa o ar difícil de respirar.
Felipe — Como é que é ? — eu perguntei, com a voz baixa. Baixa demais.
Davi — Tinha criança no caminho. Tinha família. A polícia tava rondando. Ia dar merda. Eu mandei ele segurar.
Ali, naquele instante, tudo mudou ,
Não foi a carga. Não foi o prejuízo. Foi a ousadia.
O Davi tinha tomado uma decisão sem me consultar.
Felipe — Você decidiu por conta própria ?
Eu perguntei, e ele respondeu na Lata .
Davi - eu não sou o gerente? Então eu posso decidi , se a carga sobe ou não.
Eu ri. Não de humor. Ri de incredulidade.
Felipe - aqui tu não manda em nada Davi. Tudo tem que passa por mim .
Davi - se tem que passar por tu , então não precisa de gerente, e se for assim , eu tô saído do cargo, vou avisar pro mostro que eu tô fora .
Foi ali que ele cruzou a linha ,
Eu levantei devagar. Dei a volta na mesa. Fiquei cara a cara com ele.
Felipe - e isso que você vai fazer ? Se esconder atrás do mostro toda vez que fizer merda ?
Davi — Não , até por que eu nam fiz merda , eu tomei uma decisão, que era a certa no momento.
Eu vi nos olhos dele que aquilo não era desafio por poder. Era por convicção. E convicção, num lugar como esse, vira bandeira. Bandeira vira guerra.
Felipe — Por sua causa, eu vou ter que explicar pra gente de fora por que a carga não chegou — eu falei. — Você sabe o que isso significa?
Davi - que eles vão ter que espera mais um dia .
E qualquer coisa manda eles falar comigo .
Ele falou e saiu da minha sala , sem eu mandar , e Naquele momento, eu entendi. Não tinha mais volta.
O Davi não tava contra mim. Ele tava contra o sistema. Contra a lógica. Contra tudo que sustenta o morro do jeito que é.
E isso faz dele um problema grande demais pra ser ignorado.
Quando ele saiu, eu soube. O morro não ia mais caber nós dois do mesmo lado.
Porque, a partir daquele dia, eu era o comando que mantém tudo funcionando pelo medo.
E o Davi…
o Davi tinha virado a voz que dizia não.
E quando alguém começa a dizer não, o caos sempre vem junto.
E um de nois dois vai cair , e não vai ser eu .
continua . . . . .