Capítulo 9

2193 Words
Arthur Allbertilli Alguns dias depois Me encontro arrastando algumas caixas para dentro da minha mais nova casa, hoje, domingo, meu dia de folga e me encontro mais cansado do que se estivesse atendendo a uma emergência no hospital. E meu único melhor amigo está trabalhando, logo não pode me ajudar, os móveis novos chegaram mas apenas daqui dois dias iram vir montar, minha casa está uma bagunça, ainda mais agora com essas coisas que consegui pegar no meu antigo apartamento, fui lá rápido rezando para não encontrar meus pais, parece que a reza funcionou, já que deu para me empacotar meus pertences e algumas roupas que eu deixava lá, já o coloquei a venda, estou apenas esperando que alguém o compre, não quero mais voltar naquele lugar. Meu vizinho, para ser mais exato, o Zander, não está, já que hoje ele trabalha, e como estamos mais próximos presumir que ele iria me oferecer sua ajuda e companhia, mas o destino me odeia, então ele não teve folga junto comigo nesse fim de semana. Coloco a última caixa que trouxe em meu carro dentro do apartamento, vejo várias dela espalhada pela minha sala, a única coisa montada aqui dentro é minha cama box e meu pequeno closet com minhas roupas que começo a arrumar nesse exato momento, não grande como o de minha antiga casa, mas é um espaço confortável que cabe minhas roupas. Horas mais tarde, faltando poucos minutos para meio dia acabo de guardar e pendurar minhas roupas, pego meu celular e peço uma comida pelo aplicativo, vejo minhas opções e acabo por escolher pizza, afinal hoje é domingo, peço uma Coca-Cola e fecho meu pedido, esperando por longos dez minutos. Ouço o interfone tocar e sei ser o porteiro. — O senhor tem uma entrega de pizza? — Isso, pode deixar subir. — Falo e posso jurar que ouvir minha barriga roncar. Pouco mais de cinco minutos o entregador toca minha campainha, pago a ele em dinheiro e logo ele está indo embora, estou para fechar a porta quando o elevador abre para o moço passar e de lá sai Zander. Ele parece cansado, mas quem não estaria depois de passar boa parte do domingo trabalhando? Ele está com uma calça branca e camisa de botões preta, vem em direção a sua porta de cabeça baixa quando chamo sua atenção. — O dia foi puxado? — Ele leva um pequeno susto levando a mão ao peito e me olhando de olhos arregalados. — Meus Deus! — Ele se aproxima agora que passou o susto, ficando a minha frente e de costas para a porta do seu apartamento. — Não sabia que se mudava hoje. — Pois é, acertei tudo às pressas e aproveitei minha folga hoje, estava morando com um amigo e não queria o atrapalhar, apesar de saber que ele não liga muito para a minha presença em sua casa, por ele eu levasse o tempo que eu quisesse, mas eu precisava do meu espaço. — Te entendo, eu me sinto assim também, é bom ter o nosso lugarzinho. — Nos encaramos por alguns segundos até que levanto a pizza em minhas mãos e a sacola com a Coca-Cola. — Vamos almoçar? — Ele pensa um pouco e logo sorrir, aquele sorriso que vem mexendo com tudo dentro de mim. — Eu vou aceitar, não comi direito hoje e estou morrendo, não quero e não tenho forças para cozinhar. — Seu sorriso cresce, assim como o meu. Lhe dou espaço me afastando da porta para que ele passe. — Seria melhor eu tomar um banho, sair do hospital e me sinto sujo. — Ele diz apontando para as roupas. — Tem roupas limpas nessa mochila? — Aponto para suas costas. — Sim. — Ele diz confuso. — Então entre, a casa está uma bagunça, mas posso te emprestar uma toalha e sabonete. — Ele parece inseguro. — Vamos, não vou te atacar. — Sorrio e ele revira os olhos passando por mim, agora só tem alguns moveis espalhados pelo canto da casa e meu sofá que claro não precisa ser montado, ele está no meio da sala com a tv na parede em sua frente e a pequena mesa da cozinha também não precisou de muita coisa para que eu colocasse a pedra de mármore sobre os pés. As caixas agora então todas dentro uma das outras já que retirei minhas roupas e os pertences que nelas estavam. — Não está uma bagunça, apenas os moveis que não foram montados. Você que vai montá-los? — Eu gargalho, uma risada alta que faz com que ele encare meus lábios, me sinto tímido de repente, minhas bochechas queimam, já que nunca fui de distribuir sorrisos e ele encarava meu sorriso como se fosse uma relíquia importante. Pigarreio e voltei a falar. — Eu não saberia nem mesmo por onde começar, nunca nem mesmo levantei um dedo para montar nada. — Ele me olha, como se tentando me desvendar, ver minha alma. — Tem pais milionários? — Ele pergunta de repente e por alguns segundos eu perco meu ar. — Não gosta de falar deles? Me desculpe, não quis me intrometer. — Tudo bem. — Não, você falou que se desentendeu com eles antes, não devia tocar no assunto. — Ele diz, parece se sentir culpado. — Vamos esquecer isso, ok? Vem, vou te levar para o banho. — Ele me olha malicioso, mas o que está acontecendo aqui? Zander parecia tão na dele, e agora fica me dando esses olhares que me deixam tímido e de bochechas coradas. — Vai me levar para o banho? — Pergunta, claramente com segundas intenções. — Zander, você entendeu. — Ele respira fundo. — Quer saber, Arthur? — Ele diz de repente parecendo ter tomado um impulso de coragem. — Eu disse para mim mesmo que seria seu amigo, que tentaria te ajudar a tirar essa sombra triste que passa pelos seus olhos lindos, mas acabou que eu sinto mais, mais do que querer ser seu amigo, eu também tenho os meus medos, medo que me rejeite quando souber mais sobre mim, mas poxa, estamos aqui sozinhos e quando você sorriu para mim, tudo que quis foi lhe beijar. — Sinto minhas pernas tremerem com sua sinceridade, como chegamos até aqui? Fecho meus olhos com força, se ele quer ter esse momento de colocar os sentimentos para fora, vamos lá, vou falar também. — Zander, — Olhos diretamente em seus olhos. — Eu não sou homem para você, se soubesse o que eu fiz você sairia correndo sem nem ao menos olhar para trás. — Tomo uma longa respiração, seus olhos carregados de vários sentimentos presos aos meus. — Assim que te vir, fiquei encantado, mas logo o peso do meu passado caiu sobre minhas costas e vi que não devia seguir por esse caminho, que devia parar seja lá o que estava sentindo e colocar meus pés de volta no chão, eu tenho uma família horrível, tenho pais horríveis, fiz coisas horríveis. — Não consigo segurar minhas lágrimas e ele se aproxima de mim, pega a pizza que ainda estava em minhas mãos e as coloca no cantinho do sofá assim como coloca a Coca-Cola, depois ele se aproxima de mim, colocando suas mãos quentes e convidativas em meu rosto, seu dedão tentando enxugar minhas lágrimas. — Arthur, não me importa seu passado, entenda isso, vamos devagar, mas vamos nos dar essa chance, se você aceitar, eu preciso lhe contar algo sobre mim. — Vejo medo em toda sua face, levo minhas mãos aos seus cabelos, sentindo a textura dos seus fios macios. — Foi tudo tão rápido, mas eu só sei querer você, a cada dia te quero mais e mais. — Nossas testas grudam uma na outra, sinto sua respiração próxima. — Será que estamos prontos para isso? — Pergunto cheio de medo, medo de o perder quando eu finalmente lhe contar tudo. — Não vamos pensar muito no futuro, vamos pensar no agora. — Ele tira suas mãos do meu rosto e as leva para a minha cintura, me puxando ele se coloca sentando-se no meio do meu grande sofá e me puxa para seu colo, coloco minhas mãos ao redor de seus ombros e ele me segura firme contra seu corpo, logo todo esse tempo sem um contato mais íntimo me cobra, fazendo todo meu corpo esquentar, eu o quero. Tanto que chega a doer todo meu corpo, que se encontra necessitado. — Posso te beijar? — Ele pergunta baixinho, sua voz está suave e rouca e apenas aceno um sim, encarando seus lábios. Quando menos espero sinto sua boca na minha, me tirando um baixo gemido de prazer, sua língua logo está lá, cutucando meus lábios, e eu apenas abro espaço, estou sem forças para lutar contra meu corpo que o quer, e mesmo que eu a tivesse, eu não tentaria sair dos seus braços calorosos, me sinto tão seguro, como a muito eu não sentia. Nossas bocas se devoram como se precisassem disso para viver, sua língua atrevida brinca com a minha e me encontro mole feito massa de modelar em seus braços, ele poderia me esticar para qualquer lado que eu não mostraria resistência. Zander sabe beijar, nunca fui beijado com essa intensidade, sua boca solta a minha e volto a encher meus pulmões de ar, mas ele não está disposto a me soltar, pois seus lábios logo estão em contato com meu pescoço, onde ele deixa uma chupada que me faz gemer sofrido, seu dedo logo está lá acariciando o local que deve estar vermelho, nossos olhos logo se encontram, cheios de uma luxuria que nunca senti ou que vi direcionada a mim. Isso faz com que eu inicie o beijo agora, puxando seus cabelos, sinto ele apertar minha b***a e rebolo de leve, p***a, nunca me imaginei como passivo, mas nesse momento eu daria a Zander tudo o que ele me pedisse. Desço minha mão do seu cabelo e as levo por dentro de sua camisa, subindo encontro seus m*****s e encho minhas mãos em seu peito, volto a descer minhas mãos enquanto estamos envoltos por uma nuvem de prazer, até que sinto o botão da sua calça e sua mão me para ali, sua boca soltando a minha, respiramos pesado. — Você não quer? — Quero mais que tudo. — Ele responde a minha pergunta que saiu baixa e insegura. Eu me transformo em outro Arthur quando estou nos braços dele. — Ele respira fundo ainda me mantendo em seu colo. — Não se assuste ok? Mas eu vou te falar algo, pois não quero que saiba depois por alguém que não seja por mim e fique com raiva. — Ele respira fundo e coça sua cabeça, parece está procurando pelas palavras certas. — Arthur, eu lutei muito para ser quem eu sou hoje, você pode não me querer, mas eu vou entender, só te peço que não encare isso com preconceito, você deve ser gay, certo? — Apenas aceno timidamente, pois nunca proferi essas palavras abertamente e com confiança, mas fico sem entender onde ele quer chegar. — Eu sou um homem trans. Ele diz por fim e devo ter feito uma cara nada boa, já que ele me tira de seu colo e volta a falar afobado. — Sabia que iria me rejeitar, todo mundo acha que só por eu ser homem e ter um órgão que diz ser feminino no meio das pernas isso faria com que o homem gay que ficasse comigo não ser gay, já que acham que ser gay é se apaixonar por paus, mas eu te entendo Arthur, não vou te obrigar... — Faço ele parar de falar colando sua boca na minha, minhas mãos puxam seu cabelo de leve e ele geme baixinho. — Pare de tirar conclusões precipitadas, eu apenas me assustei, nunca imaginei ser isso. — Por quê? Eu nem pareço que sou trans? Sabe que isso não é legal de dizer... — Parece que todas as suas armaduras então levantadas, mas eu realmente o entendo, não deve ser fácil sem quem ele é. — Eu não ia dizer isso, pare de colocar palavras em minha boca. Eu apenas fiquei surpreso. Quando te vir pela primeira vez, eu vi um homem, e ainda continuo enxergando um homem, seu órgão s****l não muda quem você é, nem como eu te enxergo. Ele deposita um selinho em meus lábios. — Você é incrível. — Não, eu não sou. — Isso é apenas o mínimo do que as pessoas deveriam pensar, eu não fiz nada demais do que te enxergar como você é. Depois de passado essas emoções, lembramos da pizza que parecia ter esfriado, mostrei meu quarto que era o cômodo mais arrumado da casa e fiz Zander tomar banho, enquanto prepara tudo para nosso almoço na cozinha, minutos depois ele apareceu cheiro e comemos lado a lado trocando vários beijos, eu estava começando a me acostumar, estava começando a ansiar por uma vida tranquila. Mas eu sabia lá no fundo que eu não merecia nada daquilo, então cedo ou tarde, essa alegria seria arrancada de mim.
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