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2201 Words
Christopher  A temporada de primavera começou divertida e cheia de novidades incríveis. Eu estava muito animado e feliz por ter tomado a decisão de fotografar nos desfiles ao invés de me limitar aos estúdios da agência. Poder andar de um lado para o outro e observar tudo como um espectador estava sendo mágico para mim.   Anahi também parecia muito feliz, andando com confiança na passarela, passando uma força inabalável para quem estivesse vendo-a. Ela estava no lugar certo, fazendo o que nasceu para fazer. Se Dulce achava que ela não aguentaria um dia, enganou-se totalmente. Apesar de sensível, Annie sabia separar seus sentimentos do seu trabalho.  Carla não saiu de perto de mim desde o início do evento e eu confesso que não conseguia tirar os meus olhos dela. Ela estava bem diferente. Mudou a armação dos óculos para uma mais moderna, estava usando roupas de um dos estilistas responsáveis pela coleção de primavera, deixou seu cabelo solto, caindo até sua cintura e estava usando maquiagem, mesmo que bem pouca. Ela estava mesmo bonita.  — O que achou do desfile? — ela sentou ao meu lado na mesa onde eu estava. Após o desfile, viemos até a festa do evento.  — Fantástico! Espero que seja assim todos os dias.  — Aposto que vai ser. — sorriu.  — Você não viu a Anahi? Eu gostaria de parabeniza-la.  — Eu a vi indo embora com o Alfonso há alguns minutos.  — Tudo bem, depois eu falo com ela.  — Por que a Dulce não quis desfilar? Não é por nada, mas ela está sempre querendo ser o centro das atenções. Me admira muito ela querer ficar enfiada dentro de um estúdio, longe de todos os repórteres e o glamour das sociais. — ela dizia aquilo enquanto brincava com os guardanapos da mesa, olhando fixamente para eles.  — A Dulce não gosta muito de jornalistas. — sorri de canto. — E ela ia fazer um teste para as Angels, acho até que foi hoje. Preciso lembrar de perguntar como ela se saiu.  — Aposto que ela entra. Mesmo se não gostassem dela, ela arranjaria um jeito de se enfiar dentro da Victoria Secrets. — aquela até poderia ser uma boa piada, se Carla não estivesse com uma expressão carrancuda.  — Dulce sempre consegue o que quer e isso não é um defeito. — falei em tom de defesa.  — Não precisa se sentir ofendido. — ficou séria.  — Não estou ofendido. Ela é minha amiga e...  — Um pouco mais que amiga, não é? Pode dizer, eu não vou te julgar.  — A gente... — suspirei. — A gente não tem nada. Não mais. — desviei o olhar.  — Você gosta dela? — fiquei em silêncio por longos segundos. — Ok, isso responde tudo. — eu vi que ela ficou chateada.  — Por que você não gosta dela? — a olhei com curiosidade. — Sempre está falando da Dulce com uma pontada de desprezo na voz e eu vejo como você fica incomodada com a presença dela ou quando alguém a cita numa conversa.  — A maior parte do pessoal do estúdio não gosta muito dela, você deve saber o porquê. Ela se acha superior a todos, sempre anda com o nariz empinado, pisando mais alto do que os pés dela realmente alcançam... não gosto de como ela trata as pessoas.  — Só por isso?  — Como "só por isso"? — franziu a testa. — Deveria ser motivo o suficiente.  — Bem... sei lá... — bufei e passei a mão por meu cabelo. — Eu sei que ela sempre está falando sobre como é linda e maravilhosa e como as pessoas querem ser ela, mas eu a conheço, ela se abre comigo de verdade. Dulce não é o que parece ser.  — Está dizendo que ela só finge ser má? — riu.  — Sim. Ela não se acha superior a ninguém. Na verdade, ela se coloca bem pra baixo sempre que pode. — eu disse com tristeza. Carla ficou séria e um tanto quanto surpresa. — Ninguém é c***l sem motivo.  — Sofrer não dá direito a ninguém de tratar os outros m*l. — Eu concordo e é por isso que insisti pra que ela procure ajuda e ela vai fazer isso. Não vou esquecer o que ela faz, vou entender o lado dela e tentar ajudá-la a não precisar ser assim. Tem muita coisa que a Dulce não consegue ver sozinha.  — Uau... vejo que tem muita coisa por trás da megera.  — Tem.  — E o que você está fazendo para ajudar a si mesmo?  — Bem, eu parei de esperar por alguém que não me quer de verdade. Acho que até agora eu só fiz isso por mim.  — Você deveria começar a procurar por alguém que te quer.  Ergui meu olhar para ela e nós ficamos nos encarando. Eu sempre soube que Carla gostava de mim, não porque eu havia notado, mas porque Dulce me alertou disso. Eu era péssimo em perceber essas coisas, mas depois que passei a prestar mais atenção, me dei conta de que realmente havia uma queda dela por mim.  Agora Carla estava aqui bem na minha frente, me olhando intensamente depois de me aconselhar a ir atrás de "alguém que me quer". Uma indireta bem direta, eu diria.  — Enfim... — ela ficou de pé. — Vou para o hotel agora. — e então ela saiu sem se despedir, porque aquilo não era uma despedida e sim um convite.  Continuei sentado naquela cadeira e pensando bem nos meus próximos passos. Ela era a minha assistente, trabalhava diretamente comigo e não havia nada na minha profissão que estivesse fora do alcance dela. Se isso acabasse m*l, seria uma dor de cabeça para mim e eu estava cansado de ter que lidar com dores de cabeça.  Por outro lado, eu tinha a necessidade de terminar aquela noite acompanhado e seria bom que fosse com alguém que eu conhecia, alguém com quem eu me sentisse confortável. Ninguém poderia me deixar mais confortável do que a Dulce, mas ela não estava aqui e nunca mais dividiria uma cama comigo de novo. Eu deveria ao menos tentar, afinal, tentar não era meu primeiro plano?  Sem me permitir pensar mais, eu levantei e fui até a saída. O hotel era ao lado do evento e em menos de cinco minutos eu já estava dentro do elevador, subindo até o andar onde eu estava hospedado. Quando as portas se abriram, eu caminhei pelo corredor e parei na frente da porta do quarto de Carla. Respirei fundo, contei até dez e bati três vezes.  Ela abriu a porta logo em seguida, como se já estivesse me esperando, mas nós ficamos parados, olhando seriamente um para o outro como se não soubéssemos o que fazer. Eu não consegui me impedir de pensar que se fosse a Dulce ali, ela me puxaria pela gola da camisa e me daria um beijo ardente sem precisar dizer mais nada.  — Oi. — eu disse quase num sussurro.  — Oi. — respondeu. Sua respiração estava acelerada, claramente levada pelo nervosismo.  — Eu estive pensando... será que você não quer companhia essa noite? — ela sorriu e abriu mais a porta, me dando espaço para entrar. — Então... — a olhei de cima a baixo depois que ela trancou a porta.  — Eu não quero conversar, não sou boa nisso. — riu.  — Nem eu. Mas sabe no que eu sou bom? — me aproximei dela.  — No que? — arfou.  Minha resposta foi dada através de um beijo. A pressionei contra a porta e coloquei para fora todos os desejos que habitavam em mim. Durante as nossas preliminares, não pude deixar de comparar as ações dela com as de Dulce. Carla era sutil, estava tremendo um pouco, ainda nervosa, seu beijo era delicado e simplório, suas mãos me tateavam com cuidado, como se quisessem desenhar pelo meu corpo.  Já Dulce, era voraz e experiente em tudo o que se referia ao ato s****l. Suas mãos sempre se preocupavam em me despir para tocar a minha pele nua, o beijo dela era quente, profundo e sem pudor e ela jamais tremia num momento como aquele. Seu corpo sempre passava uma confiança forte. Ela era o extremo oposto de Carla.  Afastei Dulce dos meus pensamentos e joguei Carla na cama, continuando a prestar atenção no presente e apenas nele. Nada mais importava além de me satisfazer e satisfazer aquela mulher.  O sexo foi bom e duradouro. Eu tentei não ser bruto com ela, tratá-la com muito carinho e cuidado, tendo em vista o quanto ela estava se reprimindo, como se tivesse medo de se soltar ou medo que eu a machucasse. Me senti desarmando uma bomba prestes a explodir, mas mesmo com toda a tensão, eu realmente gostei de ter feito aquilo.  Quando terminamos, ela deitou em meu peito e ficamos abraçados. Ela estava sorrindo e ofegante, assim como eu. Cansados demais para dizer alguma coisa, eu apenas acariciava seu cabelo enquanto ela passava seus dedos por meu peito.  Meu celular começou a tocar e eu estiquei meu braço até a cômoda, vendo que era a Dulce me ligando.  — Desculpe, eu tenho que atender. — eu disse me levantando e indo até a varanda.  Depois de conversar com Dulce sobre o nosso dia, nós nos despedimos com um "eu te amo" e eu retornei para onde Carla estava. A vi sentada na cama, olhando séria para mim.  — A varanda não é tão longe assim, eu ouvi a conversa. — ela disse.  — Ah. Tudo bem. — franzi a testa e sentei na cama ao lado dela.  — Você disse que a amava. — olhei para Carla de relance e esperei que ela dissesse mais alguma coisa. — Essa coisa que vocês tem um com o outro... — Ouça, Dulce é minha melhor amiga. Eu a amo muito e sempre vou protegê-la acima de qualquer outra pessoa. Eu entendo que você possa ter sentimentos por mim, mas eu não te prometi nada. — ela ficou quieta e aquilo que eu disse me fez ter uma sensação estranha, algo como um déjà-vu.  — Ok... — ela olhou para baixo.  — Eu vou para o meu quarto. — comecei a vestir o resto das minhas roupas. — A noite foi excelente, Carla. Você é uma mulher maravilhosa em todos os aspectos. — ela sorriu fraco e eu terminei de calçar os meus sapatos. — Boa noite.  — Boa noite.  Saí de lá imediatamente e fui para o meu quarto. Eu até poderia ficar e dormir com ela, tentar f********o de novo, talvez. Mas assim que ela ficou enciumada por Dulce, eu soube que não poderia ir adiante. Dulce foi adiante comigo e eu passei tempo demais acumulando expectativas que jamais foram cumpridas. Eu não poderia fazer o mesmo com outra pessoa.  {...} Era o dia seguinte e eu cheguei mais cedo ao evento. Vim antes de Carla e fui direto para o camarim ver Anahi e parabeniza-la como eu queria. A avistei em uma das penteadeiras arrumando o cabelo e assim que ela me viu, se pôs de pé e veio até mim com os braços abertos.  — Você se saiu muito bem ontem! — elogiei quando nos abraçamos.  — Obrigada, Christopher! — nos soltamos do abraço. — Falei com Dulce hoje antes de sair e ela está adorando as sessões de fotos, disse que ficou super amiga da nova fotógrafa.  — Pois é, ela me contou. — sorri. — Nossa, eu falei com ela ontem e esqueci de perguntar sobre o teste para as Angels. Você sabe como ela se saiu?  — Teste? Ela não fez esse teste. — olhou-me com estranheza.  — Como não? Eu mesmo a convenci de fazer.  — Ela desistiu das Angels, disse que não tinha mais interesse.  — Como assim? Esse é o sonho dela há anos! — fiquei ainda mais confuso. — Por que ela desistiria disso de uma hora para a outra?  — Ah, não sei. Mas você conhece a Dulce, ela é uma caixinha de surpresas e nunca está realmente satisfeita com nada. — deu de ombros.  — Isso não faz nenhum sentido, principalmente porque ela não me contou nada.  — Talvez ela não tenha te contado porque você a convenceu de fazer o teste e ela achou que você ficaria chateado por ela ter desistido.  — E desde quando a Dulce se importa com isso?  — Christopher, não se preocupe. Eu acho até bom que ela tenha desistido. Essa ambição estava a deixando mais maluca do que já é.  — Ok. — respirei fundo. — É melhor a gente ir trabalhar.  — Sim. — sorriu. — Até mais. — beijou meu rosto.  — Até.  Retornei para o exterior com um ponto de interrogação em minha cabeça. Por que Dulce faria aquilo? Ela nunca largava nada antes de conseguir o que queria. Eu sabia que tinha algum motivo por trás de sua desistência e isso me preocupava. E se ela estivesse se sentindo m*l com o próprio corpo? E se começasse a parar de comer definitivamente, ou pior, continuasse usando aqueles remédios sem nenhuma preocupação? Eu tinha que averiguar essa história.
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