(9 Meses Antes)
Ela cavalgava como se não houvesse amanhã. Minhas mãos seguravam os seus quadris, firmes, guiando o ritmo, mas Carmem não precisava mais de muita orientação.
A garota de Trapani estava irreconhecível. Eu a havia moldado com perfeição, arrancando a postura acanhada e transformando-a na mulher que dominava a minha cama, se eu deixasse.
Ela se movia com uma vontade voraz, os cabelos negros caindo sobre o rosto, os s***s balançando a cada descida.
Ela gemia com a sua voz macia, a cabeça jogada para trás, o suor fazendo a pele clara brilhar na penumbra do meu quarto.
— Isso... — grunhi, sentindo o prazer acumular na base da espinha. — Assim, bella.
Nas primeiras semanas, ela m*l levantava os olhos quando servia o vinho. Agora, ela estava montada em cima do herdeiro da Cosa Nostra, reivindicando o que queria com uma ousadia que me deixava louco.
Quando o clímax veio, foi explosivo. Ela colapsou sobre o meu peito, ofegante, o coração dela batendo forte contra o meu.
Ficamos ali por alguns minutos. Acariciei as costas nuas dela, sentindo a maciez da pele jovem. Ela parecia tão inocente, tão frágil, mas na cama ela era o tipo de mulher que eu sempre busquei e nunca encontrei nas festas da alta sociedade de Palermo.
Ela rolou para o lado, apoiando a cabeça no meu ombro, os dedos desenhando círculos preguiçosos no meu peito.
— Quando Emanuele vai voltar? — Ela perguntou, a voz mansa, quase distraída.
Ri, soltando ar pelo nariz. Ela e a minha cunhada tinham se conhecido em Trapani, na Villa Rossi, quando Emanuele era recém-chegada do Brasil.
— Difícil dizer. Eles têm aquela Parola ridícula com o meu pai. Coisa de virgem. Enquanto ela não engravidar, Dante está banido.
— Não acredito — Carmem riu baixinho, um som melodioso. — Ela dorme com seu irmão, aquele homem enorme, e não sente vontade de montar nele? Como eu faço com você?
— Emanuele é... complicada. Ela tem princípios. Ou travas. Não sei.
Carmem se apoiou no cotovelo, olhando para mim. Os olhos escuros dela eram inteligentes, observadores demais para uma simples criada.
— É triste — ela comentou. — Mas o Don Vittorio deve estar ansioso. Ele fala muito sobre linhagem, não fala? Sobre o futuro.
— O velho só pensa nisso — bufei, passando a mão pelo rosto. — Ele quer netos. Quer alianças. Ele acha que pode controlar a biologia como controla os sindicatos.
— E você? — Ela perguntou, deslizando a mão para o meu abdômen. — Ouvi as cozinheiras fofocando. Dizem que o Don quer casar você com uma princesa da Calábria. Uma tal de... Nirta?
Olhei para ela, surpreso. As fofocas corriam rápido nos corredores da criadagem.
— Você ouve demais, Carmem — avisei, mas sem raiva. — É, ele quer. E ela não é uma princesa. É só uma união política com a 'Ndrangheta. Dizem que a filha de Cesare Nirta é uma reclusa. Nunca ninguém viu o rosto dela. Provavelmente é feia como o pai.
Carmem sorriu.
— Talvez ela seja tímida — ela disse suavemente.
Puxei-a para mim, beijando seu pescoço, ignorando a política.
— Não me importa a filha do Nirta — murmurei contra a pele dela. — Eu prefiro a timidez da minha criada. Ela sabe cavalgar melhor do que qualquer filha protegida de um mafioso comedor de cabras.
Carmem riu, e dessa vez o som foi incrivelmente genuíno. Ela beijou meus lábios com uma intensidade que tinha gosto de promessa. Quanto a mim, apenas a puxei para baixo, pronto para mais uma rodada, antes que o dia começasse de verdade.
Abracei a cintura dela para rolar pelo colchão, mas o movimento parou pela metade.
Três batidas duras soaram na porta de carvalho.
O som cortou a i********e no mesmo segundo. Carmem travou sob os meus braços.
— Capo Romeo — a voz áspera de Mario vazou pela fresta da madeira do corredor. — O sol acabou de nascer. Don Vittorio exige a sua presença no escritório principal agora mesmo. Ele recebeu uma ligação do telefone vermelho.
Soltei um palavrão baixo, fechando os olhos. O porto e as rotas de Palermo não iam me dar descanso. Afastei o corpo nu da minha criada, levantei da cama e fui vestir o meu terno.