Capítulo 15: Romeo

650 Words
(10 Meses Antes) Carmem parou bem na minha frente. Suas mãos pequenas seguraram as lapelas do meu paletó. — Não acredito que o Capo de Palermo nunca se apaixonou — ela disse. — É um desperdício de tempo. Ela puxou o tecido pelos meus ombros. — Um desperdício de tempo por que amor não envolve os joguinhos que o senhor gosta? Apoiei o peso do corpo em uma perna só, observando-a deslizar a peça pelos meus braços e largá-la sobre uma cadeira próxima. — Cuidado como fala, Carmem. Isso quase soou como uma crítica. Ela manteve o olhar firme. — Foi uma crítica, Signor Romeo. Dei um passo curto, invadindo novamente o espaço pessoal dela. — Então você leva coisas como paixões e amor a sério? Por quem você já se apaixonou? Que homem já caminhou pelo seu coração e não teve nem a competência de tirar a sua virgindade? — Sentimento não é apenas sexo, Signore — Carmem retrucou, o tom manso, mas cheio de convicção. — Sexo é só... luxúria, desejo e prazer momentâneo. Paixão é o que deixa você vulnerável, dá o poder daquela pessoa te destruir e você sabe que ela nunca o fará se ela sentir o mesmo por você. Franzi a testa, cético diante de tamanha ingenuidade. — Certeza disso? Carmem deu de ombros levemente. — Bom, eu me lembro de ter lido em algum lugar, não me pergunte onde. — E quem era o homem por quem você se apaixonou? Um trabalhador? Um rico? Um uomo d'onore? Ela balançou a cabeça de um lado para o outro. — Não. A primeira vez que me envolvi com a Cosa Nostra foi quando comecei a trabalhar para vocês na Tenuta Rossi. A pessoa de quem eu gostava... nem era homem. Ergui as sobrancelhas, genuinamente surpreso com a informação. — Então... você corta para os dois lados? Os olhos dela se arregalaram. — Que horror. Soltei uma risada curta no fundo da garganta. — Não quis ser desrespeitoso. — Imagina se quisesse. A verdadeira consequência daquela resposta se formou na minha mente. Um sorriso despontou na minha boca. — Isso significa que você não tem nenhum homem no seu passado? Eu sou o único? Carmem suspirou de forma arrastada. — Já vi que seu ego vai ficar imenso. — Sim, você tem a capacidade de deixar as coisas em mim um pouco maiores. Carmem olhou rapidamente para baixo. A minha calça de alfaiataria já não conseguia esconder a ereção volumosa e dura que se formava. Ela voltou o rosto para cima na mesma hora, as bochechas esquentando. — O senhor se anima muito fácil, Signor Romeo. "Eu já, eu não", agora é sua vez. Eu nem parei para pensar muito. O meu único objetivo era a remoção da seda vermelha. — Eu já beijei uma mulher. — Eu já estava esperando por isso — ela respondeu de imediato. — Sem desculpa, vai beber ou tirar o vestido? Ergui a minha taça de cristal e bebi o espumante. A afirmação era verdadeira para mim. Carmem hesitou por um segundo. Então, ela levou a própria taça aos lábios e bebeu também. Sorri de novo, satisfeito. — Bom saber que temos algo em comum. O rosto dela corou ainda mais. — Você não existe, Signor Romeo. — Mas me diga, quem foi a mulher que conquistou o coração da tímida Carmem? Ela suspirou. Uma tristeza rápida e palpável passou pelo rosto claro. — Minha melhor amiga. Mas... ela morreu anos atrás. Levei o cristal à boca e bebi outro gole, sem me importar em seguir as regras da nossa brincadeira. Eu não diria que sentia muito. Não buscaria confortá-la de maneira vazia. Eu simplesmente não sentia nada. Na verdade, eu estava intimamente grato pela única outra pessoa por quem ela já teve algum sentimento estar morta e enterrada. O caminho estava completamente limpo para mim. — Sua vez.
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