Capítulo 13: Romeo

687 Words
(10 Meses Antes) — Fez bem em me esperar do jeito que eu mandei — falei, parando a poucos passos dela. — E eu tinha outra escolha, Signor Romeo? — Nenhuma. Chegou há muito tempo? Esteve me esperando em pé até agora? — Cheguei quase agora e vesti a roupa como o senhor mandou. Caminhei lentamente até ela. O salto fino que ela calçava deixava nossos rostos mais nivelados, facilitando a minha inspeção. — Quase agora? Você sabe o que aconteceria se eu chegasse aqui e você não estivesse? Carmem hesitou, baixando os olhos rapidamente. — Perdão, é que eu estava com as outras criadas... tive que arrumar uma desculpa para vir até aqui. — Não cometa mais esse erro. Chegue sempre com muita antecedência. Claro, não é como se eu não fosse gostar de puni-la. Ela ergueu o rosto, olhando direto nos meus olhos. — E como seria a punição? Era fascinante como o comportamento dela vacilava entre uma jovem tímida e, no segundo seguinte, uma mulher ousada. Que poderia lidar comigo no mesmo nível que eu já lidei com outras, mesmo faltando-lhe experiência. — Chegue atrasada da próxima vez e descubra. — O senhor ama ser misterioso. — E você ama o mistério — rebati, me aproximando mais. — Mas mais do que isso, ama ser explorada por mim entre suas pernas. Carmem apertou as mãos na frente do vestido. — Já vai começar com os seus jogos? O que será dessa vez? — Nada. Faltam poucos minutos para o ano novo, vamos beber. Havia uma garrafa de champanhe no balde de prata sobre a mesa de centro, deixada ali junto com duas taças de cristal pelas funcionárias da tarde antes da festa começar. Abri a garrafa. O estampido da rolha foi abafado pelas paredes grossas da suíte. Servi o líquido dourado e estendi uma taça para ela. Carmem a pegou, envolvendo o bojo largo com a palma da mão inteira. — Não se segura uma taça assim — corrigi de imediato. Levei a minha mão direita até a dela, cobrindo seus dedos. Deslizei a mão pequena de Carmem para baixo, obrigando-a a segurar apenas pela haste fina. — O calor do seu corpo esquenta a bebida e estraga o sabor. Ela obedeceu em silêncio e deu um gole pequeno. Uma leve careta repuxou os lábios avermelhados dela. Os olhos escuros piscaram diante do gosto seco e encorpado do espumante francês. Aquele paladar sem refinamento me agradou imensamente. Peguei a taça da mão dela. Girei o cristal entre os meus dedos até encontrar a marca úmida que os lábios dela haviam deixado na borda. Bebi exatamente no mesmo lugar, mantendo os meus olhos cravados nos dela. Deixei a taça pela metade de volta na mesa e segurei os seus ombros, virando-a de costas para mim. Conduzi seus passos curtos até o grande espelho de corpo inteiro encostado na parede do quarto. Parei bem atrás dela. A diferença de tamanho entre nós era evidente na superfície do vidro. O meu peito largo emoldurava a silhueta fina dela envolta na seda vermelha. As minhas mãos desceram pelos seus braços, ancorando na cintura marcada. — Olhe para o espelho — ordenei perto da sua orelha. — O que você vê? Ela encarou o próprio reflexo, a respiração subindo e descendo devagar. — Uma funcionária do Palazzo usando roupas que não lhe pertencem. Puxei o corpo dela contra o meu. Senti as suas costas quentes colarem na minha camisa social. — Eu vejo a única mulher desta casa que tem permissão para ficar no meu quarto, tão perto de mim. Deslizei meus polegares pela seda que cobria o abdômen liso de Carmem. — As esposas dos Capi lá embaixo passam a vida inteira treinando para andar com o nariz empinado usando peças exclusivas. Elas dariam qualquer coisa para estar no seu lugar agora. E você nem precisou se esforçar. A respiração dela falhou. O reflexo no espelho entregava a vermelhidão subindo pelo pescoço claro. Ela estava exatamente onde eu a queria. Sob o meu teto, vestindo o que eu escolhi, e convencida do privilégio que eu estava lhe dando.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD