(10 Meses Antes)
— Fez bem em me esperar do jeito que eu mandei — falei, parando a poucos passos dela.
— E eu tinha outra escolha, Signor Romeo?
— Nenhuma. Chegou há muito tempo? Esteve me esperando em pé até agora?
— Cheguei quase agora e vesti a roupa como o senhor mandou.
Caminhei lentamente até ela. O salto fino que ela calçava deixava nossos rostos mais nivelados, facilitando a minha inspeção.
— Quase agora? Você sabe o que aconteceria se eu chegasse aqui e você não estivesse?
Carmem hesitou, baixando os olhos rapidamente.
— Perdão, é que eu estava com as outras criadas... tive que arrumar uma desculpa para vir até aqui.
— Não cometa mais esse erro. Chegue sempre com muita antecedência. Claro, não é como se eu não fosse gostar de puni-la.
Ela ergueu o rosto, olhando direto nos meus olhos.
— E como seria a punição?
Era fascinante como o comportamento dela vacilava entre uma jovem tímida e, no segundo seguinte, uma mulher ousada. Que poderia lidar comigo no mesmo nível que eu já lidei com outras, mesmo faltando-lhe experiência.
— Chegue atrasada da próxima vez e descubra.
— O senhor ama ser misterioso.
— E você ama o mistério — rebati, me aproximando mais. — Mas mais do que isso, ama ser explorada por mim entre suas pernas.
Carmem apertou as mãos na frente do vestido.
— Já vai começar com os seus jogos? O que será dessa vez?
— Nada. Faltam poucos minutos para o ano novo, vamos beber.
Havia uma garrafa de champanhe no balde de prata sobre a mesa de centro, deixada ali junto com duas taças de cristal pelas funcionárias da tarde antes da festa começar. Abri a garrafa. O estampido da rolha foi abafado pelas paredes grossas da suíte.
Servi o líquido dourado e estendi uma taça para ela.
Carmem a pegou, envolvendo o bojo largo com a palma da mão inteira.
— Não se segura uma taça assim — corrigi de imediato.
Levei a minha mão direita até a dela, cobrindo seus dedos. Deslizei a mão pequena de Carmem para baixo, obrigando-a a segurar apenas pela haste fina.
— O calor do seu corpo esquenta a bebida e estraga o sabor.
Ela obedeceu em silêncio e deu um gole pequeno. Uma leve careta repuxou os lábios avermelhados dela. Os olhos escuros piscaram diante do gosto seco e encorpado do espumante francês.
Aquele paladar sem refinamento me agradou imensamente. Peguei a taça da mão dela. Girei o cristal entre os meus dedos até encontrar a marca úmida que os lábios dela haviam deixado na borda. Bebi exatamente no mesmo lugar, mantendo os meus olhos cravados nos dela.
Deixei a taça pela metade de volta na mesa e segurei os seus ombros, virando-a de costas para mim. Conduzi seus passos curtos até o grande espelho de corpo inteiro encostado na parede do quarto.
Parei bem atrás dela. A diferença de tamanho entre nós era evidente na superfície do vidro. O meu peito largo emoldurava a silhueta fina dela envolta na seda vermelha. As minhas mãos desceram pelos seus braços, ancorando na cintura marcada.
— Olhe para o espelho — ordenei perto da sua orelha. — O que você vê?
Ela encarou o próprio reflexo, a respiração subindo e descendo devagar.
— Uma funcionária do Palazzo usando roupas que não lhe pertencem.
Puxei o corpo dela contra o meu. Senti as suas costas quentes colarem na minha camisa social.
— Eu vejo a única mulher desta casa que tem permissão para ficar no meu quarto, tão perto de mim.
Deslizei meus polegares pela seda que cobria o abdômen liso de Carmem.
— As esposas dos Capi lá embaixo passam a vida inteira treinando para andar com o nariz empinado usando peças exclusivas. Elas dariam qualquer coisa para estar no seu lugar agora. E você nem precisou se esforçar.
A respiração dela falhou. O reflexo no espelho entregava a vermelhidão subindo pelo pescoço claro. Ela estava exatamente onde eu a queria. Sob o meu teto, vestindo o que eu escolhi, e convencida do privilégio que eu estava lhe dando.