(8 Meses Antes)
Ela implorou o suficiente. A voz embargada e as lágrimas contidas na base da venda preta marcaram o limite exato que eu queria alcançar com aquela negação.
Agarrei a cintura fina dela e cedi.
Ataquei o corpo de Carmem com força total, sem me preocupar em segurar o ritmo ou amenizar o impacto. A penetração foi rápida, funda e contínua.
Descarreguei fisicamente toda a tensão acumulada naquelas últimas noites m*l dormidas. As licitações atrasadas, a burocracia das docas e as carcaças apodrecidas enviadas por Bastiano Greco sumiram da minha mente, sendo substituídas apenas pelo som de carne batendo e pela respiração cortada da minha criada.
O clímax nos atingiu quase ao mesmo tempo.
Eu não recuei o meu quadril. Afundei na garota e despejei tudo dentro dela, sem a menor restrição. O risco de um herdeiro indesejado não existia. Semanas antes, eu mesmo havia providenciado as pílulas anticoncepcionais para ela.
Quando o meu fôlego começou a retornar, puxei o corpo para trás, desfazendo a conexão. Fiquei de joelhos no colchão, observando o resultado do nosso choque. Os meus fluidos espessos já deixavam a entrada dela, escorrendo devagar pela pele clara.
Estiquei a mão e puxei o nó da fita de seda na nuca de Carmem. O tecido escuro escorregou pelos cabelos negros e caiu no lençol.
A luz baixa da luminária atingiu os olhos úmidos dela. A visão da garota voltou a tempo de eu assistir à consumação final do seu prazer. Carmem gozou chorando, os lábios tremendo enquanto os últimos espasmos internos sacudiam as suas pernas e o seu abdômen.
Deitei de costas ao lado dela, acomodando a cabeça no travesseiro.
Aos poucos, os nossos batimentos cardíacos acelerados nivelaram-se no ambiente. Virei o rosto para o lado. Carmem ainda mantinha os olhos fechados, tentando recuperar o fôlego, o corpo nu marcado pelo atrito e entregue ao cansaço absoluto que eu impus.
Fiquei ali, em total repouso, analisando o cenário impecável da minha própria vida.
Tudo estava exatamente onde deveria estar, funcionando como uma engrenagem bem lubrificada. Meu irmão administrava Enna, fazendo o trabalho pesado no centro da ilha, lidando com os problemas rurais e mantendo a paz sem causar novos abalos para a nossa estrutura.
Nossos aliados mais instáveis e barulhentos em Catania seguiam vigiados de perto, sem espaço real para ameaçar a supremacia de Palermo.
E ali, deitada nos meus lençóis, respirando o mesmo ar que eu, a mulher mais deliciosa da Sicília respondia a cada vontade minha. Ela obedecia aos meus comandos cegamente, moldada e submissa como um cão adestrado.
Eu não precisava negociar atenção ou pedir lealdade; eu havia tomado tudo dela. A estrutura da Famiglia estava inabalável nas ruas, e o meu próprio mundo funcionava com perfeição sob aquele teto.