Capítulo 49: Romeo

630 Words
(7 Meses Antes) O relógio de parede marcou oito da noite. Passei a maior parte do dia trancado com o meu pai no escritório administrativo. Durante todas aquelas horas, ignoramos as dezenas de ligações dos advogados, os ofícios da prefeitura e qualquer urgência vinda das ruas de Palermo. O destino de Messina estava sendo decidido no leste, e nada mais importava. O Telefone Vermelho tocou. Vittorio atendeu no primeiro toque e ativou o viva-voz. — A casa está limpa, Don Vittorio — a voz jovem e firme de Cassio Sparacio soou do outro lado do aparelho. — O meu filho saiu da fortaleza? — Vittorio perguntou. — Sim — o sucessor confirmou. — Dante recuou antes da nossa linha de frente avançar. Os calabreses foram neutralizados. No entanto, Vincenzo Farao conseguiu escapar do pátio durante o tiroteio principal. — Um covarde fugindo não fará m*l nenhum — o Don decretou. — Se os seus homens o encontrarem pelas estradas, matem. E quanto à herdeira? — Dante levou as três, Don. A noiva assassina e as duas irmãs mais novas. Cassio desligou a chamada logo após confirmar que os seus homens já estavam limpando os corpos. Cruzei os braços. A logística daquela fuga não fazia sentido para mim. — Por que Dante pegou as outras duas garotas da casa Marino? — Perguntei. — O acordo era arrancar Aurora de lá para o julgamento, não atrasar a fuga levando bagagem inútil. — Coisa da esposa brasileira — Vittorio concluiu. — Dante trará a assassina para a Cúpula, mas Emanuele deve ter se recusado a deixar as meninas para trás no meio de um banho de sangue. Ela quis tirar as irmãs mais novas de lá em segurança, mesmo que o peso extra pudesse fazê-los fracassar na tentativa. Peguei o controle remoto e liguei a televisão fixada na parede, algo extremamente raro na nossa rotina de trabalho. Sintonizei em um canal de notícias de Messina. A âncora do jornal falava sobre agitação civil nas áreas afastadas. Moradores haviam relatado sons de um tiroteio intenso vindos das montanhas, mas não havia imagens de helicópteros ou flagrantes policiais. A invasão na Villa Marino já estava sendo acobertada de forma absoluta pela influência da Famiglia na província. Diferente da estupidez de explodir um magistrado em praça pública, a execução de mafiosos a portas fechadas não chamaria a atenção dos investigadores federais. As delegacias locais compradas fariam vista grossa para as fumaças no topo do morro. Em seguida, o canal exibiu a imagem de um acidente na rodovia ocidental. Um carro havia saído da estrada, despencado em um barranco e pegado fogo. A reportagem informou que o motorista não identificado morreu carbonizado nas ferragens. Nós ignoramos a tragédia. Vittorio desligou o monitor. — Dante já deve estar cruzando o centro da ilha com as prisioneiras neste exato momento — meu pai avaliou, as mãos apoiadas na mesa. — Ele chegará a Trapani ainda esta noite e a Nonna Viviana estará esperando por eles. O Don levantou-se da cadeira, a postura firme. — O leste está resolvido — ele determinou. — O controle do Estreito está nas mãos certas. Agora, Romeo, nós voltamos a focar inteiramente no desastre que Rocco criou na nossa capital. — Nós dois — comentei, avaliando o volume de processos da construtora sobre a mesa. — Nós e o seu irmão — Vittorio corrigiu o meu raciocínio. — Dante terá apenas um dia de descanso na Villa Rossi. Depois disso, ele voltará imediatamente para Palermo para reassumir o posto de Sottocapo e agir como o seu braço direito nas ruas. A Nonna Viviana já foi instruída sobre isso e vai mandá-lo para cá na manhã seguinte. Nós três vamos varrer a polícia federal desta cidade e enterrar os erros de Rocco Martinus juntos.
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