(10 Meses Antes)
Carmem encarou a taça de cristal nas suas mãos. As pequenas bolhas do espumante subiam pela haste até a superfície dourada.
Fiquei parado a poucos passos de distância, com a respiração perfeitamente controlada. A escolha nas mãos dela era simples, mas o significado daquele gesto seria absoluto.
Lentamente, ela ergueu o braço. A borda fina tocou seus lábios avermelhados e ela inclinou o pescoço para trás. Carmem bebeu. Um gole longo e contínuo.
Acompanhei o movimento da garganta dela engolindo a bebida. A rendição estava feita. Ela assumiu, sem dizer uma única palavra, que me queria.
A satisfação inundou o meu peito, alimentando o meu desejo. Dei um passo à frente, zerando o espaço entre nós. Segurei a cintura de Carmem com as duas mãos, apertando a seda vermelha, e puxei o corpo dela contra o meu peito nu.
— Não — ela sussurrou perto da minha boca. A mão livre dela, fria pelo cristal, espalmou no meu peito. — A brincadeira ainda não acabou. É a minha vez.
Sorri, achando graça da insistência em adiar o inevitável. Ela estava encurralada.
— Diga.
Carmem ergueu o queixo, mantendo os olhos escuros fixos nos meus.
— Eu já matei alguém.
Fiquei em silêncio, avaliando a audácia daquela frase específica. Levei a minha própria taça à boca e bebi tudo o que restava. O espumante desceu rasgando a minha garganta.
Eu já tinha tirado inúmeras vidas com as minhas próprias mãos. Já tinha visto salas e galpões banhados em sangue. O cheiro de pólvora e vísceras ficava grudado na minha pele após as cobranças que davam errado. A morte era o meu negócio diário.
Baixei o cristal vazio e olhei para Carmem. Ela segurava a taça perfeitamente intocada. Ela não bebeu. A frase foi formulada especificamente para ela mesma, para me atingir e me forçar a beber.
Ela esticou o braço devagar e colocou a taça na beirada da mesa de centro, aguardando. Uma garota de Trapani, pura e intocada pela violência que governava o meu mundo.
— Inteligente — murmurei perto do rosto dela.
Inclinei a cabeça e a beijei. Minha língua invadiu a boca dela de imediato, sentindo o gosto doce do champanhe misturado com a sua respiração ofegante. Deslizei a minha mão direita pelas costas de Carmem, subindo pela coluna até encontrar o zíper oculto no tecido.
Puxei o fecho para baixo de uma só vez. A seda perdeu a sustentação nos ombros e escorregou pelos braços dela. O tecido caiu em volta dos seus pés no tapete.
Carmem não usava sutiã por baixo da roupa. A pele pálida ficou totalmente exposta na penumbra do quarto, os s***s firmes reagindo ao ar frio. A única peça restante no corpo dela era uma calcinha de renda preta.
Agarrei-a pela cintura novamente e a empurrei para trás. As costas das pernas dela bateram na beirada do colchão. Ela perdeu o equilíbrio e caiu de costas, afundando no edredom escuro.
— O jogo acabou agora — avisei.
Minhas mãos foram direto para o cinto da minha calça de alfaiataria. Abri a fivela, abaixei o fecho e me livrei da peça e dos sapatos em movimentos rápidos. O tecido caiu no chão, amontoado ao lado do vestido.
Do lado de fora, abafados pelas grossas paredes do Palazzo, os sons de estouros começaram a ecoar. Os fogos de artifício iluminavam o céu noturno acima do porto de Palermo. A meia-noite tinha acabado de chegar.
Fiquei em pé ao lado da cama. O meu m****o estava completamente duro, pesado e latejante. O olhar de Carmem desceu pelo meu abdômen e parou no meu p*u, os lábios dela levemente entreabertos.
— Feliz Ano Novo — sussurrei, subindo no colchão para terminar de tomá-la apenas para mim de vez.