(10 Meses Antes)
Carmem parou bem na minha frente. Suas mãos pequenas seguraram as lapelas do meu paletó.
— Não acredito que o Capo de Palermo nunca se apaixonou — ela disse.
— É um desperdício de tempo.
Ela puxou o tecido pelos meus ombros.
— Um desperdício de tempo por que amor não envolve os joguinhos que o senhor gosta?
Apoiei o peso do corpo em uma perna só, observando-a deslizar a peça pelos meus braços e largá-la sobre uma cadeira próxima.
— Cuidado como fala, Carmem. Isso quase soou como uma crítica.
Ela manteve o olhar firme.
— Foi uma crítica, Signor Romeo.
Dei um passo curto, invadindo novamente o espaço pessoal dela.
— Então você leva coisas como paixões e amor a sério? Por quem você já se apaixonou? Que homem já caminhou pelo seu coração e não teve nem a competência de tirar a sua virgindade?
— Sentimento não é apenas sexo, Signore — Carmem retrucou, o tom manso, mas cheio de convicção. — Sexo é só... luxúria, desejo e prazer momentâneo. Paixão é o que deixa você vulnerável, dá o poder daquela pessoa te destruir e você sabe que ela nunca o fará se ela sentir o mesmo por você.
Franzi a testa, cético diante de tamanha ingenuidade.
— Certeza disso?
Carmem deu de ombros levemente.
— Bom, eu me lembro de ter lido em algum lugar, não me pergunte onde.
— E quem era o homem por quem você se apaixonou? Um trabalhador? Um rico? Um uomo d'onore?
Ela balançou a cabeça de um lado para o outro.
— Não. A primeira vez que me envolvi com a Cosa Nostra foi quando comecei a trabalhar para vocês na Tenuta Rossi. A pessoa de quem eu gostava... nem era homem.
Ergui as sobrancelhas, genuinamente surpreso com a informação.
— Então... você corta para os dois lados?
Os olhos dela se arregalaram.
— Que horror.
Soltei uma risada curta no fundo da garganta.
— Não quis ser desrespeitoso.
— Imagina se quisesse.
A verdadeira consequência daquela resposta se formou na minha mente. Um sorriso despontou na minha boca.
— Isso significa que você não tem nenhum homem no seu passado? Eu sou o único?
Carmem suspirou de forma arrastada.
— Já vi que seu ego vai ficar imenso.
— Sim, você tem a capacidade de deixar as coisas em mim um pouco maiores.
Carmem olhou rapidamente para baixo. A minha calça de alfaiataria já não conseguia esconder a ereção volumosa e dura que se formava. Ela voltou o rosto para cima na mesma hora, as bochechas esquentando.
— O senhor se anima muito fácil, Signor Romeo. "Eu já, eu não", agora é sua vez.
Eu nem parei para pensar muito. O meu único objetivo era a remoção da seda vermelha.
— Eu já beijei uma mulher.
— Eu já estava esperando por isso — ela respondeu de imediato.
— Sem desculpa, vai beber ou tirar o vestido?
Ergui a minha taça de cristal e bebi o espumante. A afirmação era verdadeira para mim. Carmem hesitou por um segundo. Então, ela levou a própria taça aos lábios e bebeu também.
Sorri de novo, satisfeito.
— Bom saber que temos algo em comum.
O rosto dela corou ainda mais.
— Você não existe, Signor Romeo.
— Mas me diga, quem foi a mulher que conquistou o coração da tímida Carmem?
Ela suspirou. Uma tristeza rápida e palpável passou pelo rosto claro.
— Minha melhor amiga. Mas... ela morreu anos atrás.
Levei o cristal à boca e bebi outro gole, sem me importar em seguir as regras da nossa brincadeira. Eu não diria que sentia muito. Não buscaria confortá-la de maneira vazia. Eu simplesmente não sentia nada.
Na verdade, eu estava intimamente grato pela única outra pessoa por quem ela já teve algum sentimento estar morta e enterrada. O caminho estava completamente limpo para mim.
— Sua vez.