Cobra narrando Parece que foi só o tempo de eu encostar na minha goma que o rádio tocou. Nem deu tempo de largar a chave em cima da mesa direito. A voz da enfermeira saiu meio tremida do outro lado, e na mesma hora meu corpo já gelou antes mesmo de ela terminar a frase: — Cobra… o Morte teve outra parada cardíaca. Porra. Na hora, eu nem respondi direito. Só desliguei. Não pensei, não raciocinei, só agi. Peguei a chave da moto, desci as escadas quase pulando degrau, meti o pé pra fora de casa e já liguei a moto no tranco. O motor roncou alto e eu saí cantando pneu, rasgando a rua como se o asfalto tivesse me devendo alguma coisa. Meu mano não pode morrer, não. Não agora. Não desse jeito. Não depois de tudo. Enquanto eu acelerava, o vento batendo forte no meu rosto, a única coisa que

