Isabela narrando Quando fechei a porta de casa, senti aquele frio na barriga conhecido, quase automático. O coração batendo mais rápido, a mente tentando me convencer a voltar, a dizer que não precisava disso. Dei dois passos, parei, respirei fundo. Lembrei das palavras do meu irmão. Lembrei que eu não era mais refém de ninguém. Segui. O caminho até o baile parecia mais curto e mais longo ao mesmo tempo. Cada rua iluminada, cada som de música ficando mais alto, tudo mexia comigo. O grave já dava pra sentir antes mesmo de chegar, vibrando no chão, no peito. O cheiro de bebida, perfume doce, suor, tudo misturado no ar quente da noite. Quando cheguei na entrada, fiquei alguns segundos parada, observando. Gente rindo, gente dançando, gente vivendo. Aquilo ainda parecia um mundo distante pr

