Cobra narrando Dois meses passaram rápido demais. Rápido no calendário, lento dentro da cabeça. Porque quando a gente tá vivo de verdade, vivendo no limite, cada dia pesa como se fosse uma semana inteira. E eu tava vivendo assim: alerta, tenso, mas com uma coisa nova no peito que eu não sabia direito como lidar. A Maya. Eu nunca fui de me apegar. Nunca. Mulher pra mim sempre foi passagem, distração, fuga. Mas com ela foi diferente desde o começo, e agora já não tinha mais volta. Dormir fora da casa dela virou exceção. Quando eu não tava lá, parecia que faltava alguma coisa, como se o corpo estranhasse o lugar onde deitava. E isso me irritava tanto quanto me acalmava. O morro tava em alerta, e isso não saía da minha cabeça. Rádio chiando o tempo todo, boato de invasão, gente nervosa dem

