Isabela narrando Depois que eu saí da casa da Nicoly, eu não olhei pra trás. Não porque eu não me importasse, mas porque se eu olhasse mais uma vez, eu sabia que ia desabar ali mesmo, no meio da rua, sem força nenhuma pra me levantar depois. Minhas pernas caminhavam no automático, como se soubessem sozinhas o caminho de casa, enquanto a minha cabeça girava num turbilhão de pensamentos que eu não conseguia organizar. Meu rosto ardia exatamente no lugar onde o John tinha batido. Era uma ardência quente, viva, que pulsava a cada passo que eu dava. Não precisava de espelho pra saber que a marca tava ali, estampada, denunciando tudo o que eu tentava esconder do mundo. E mesmo assim, o que mais doía não era a pele machucada. Era o peso de mais uma vez ter passado por aquilo. A minha cabeça e

