Leozinho narrando Eu não costumo reparar nessas coisas, mas naquela noite tinha algo diferente no jeito da Isabela. Desde o começo do baile. Não era a roupa, nem o cabelo, nem o sorriso mais solto era o olhar. Um olhar de quem está reaprendendo a viver, passo por passo, e ainda assim se permitindo. Isso chama atenção de qualquer um. Chamou a minha. Quando vi ela rindo com a Maia e a Gaby, dançando sem se encolher, sem pedir desculpa por ocupar espaço, alguma coisa apertou no meu peito. Não foi ciúme, nem posse. Foi um orgulho. Um orgulho silencioso, daqueles que a gente sente e não sabe bem explicar. Quando eu vi a confusão de longe, o puxão no cabelo, a roda se formando, meu corpo reagiu antes da cabeça. Aquilo me deu um aperto no peito que eu não soube explicar direito. Não era raiva

