Maya Narrando Eu já estava na metade do caminho quando minhas pernas começaram a pesar mais do que o normal. Não era cansaço físico, era a cabeça. Cada passo que eu dava pra longe do posto parecia errado, como se eu estivesse abandonando alguma coisa inacabada. O barulho distante do morro ainda ecoava, mesmo depois dos fogos, e na minha mente só vinha a imagem da UTI, dos monitores apitando, do peito do Morte subindo e descendo de forma mecânica. Suspirei fundo, parando por um segundo no meio da ladeira. O suor escorria pelas costas, misturado com o frio que vinha do medo. Medo de acontecer alguma coisa e eu não estar lá. Medo de o coração dele resolver parar de novo, medo de a pressão despencar, medo de uma intercorrência boba virar fatal. Era irracional, eu sabia. Tinha outro médico d

