capítulo 12

1254 Words

Morte narrando Cada passo que a Gabriela dava dentro do morro chegava até mim como eco. Não tinha nem cinco minutos que ela saía de um lugar e o rádio já chiava, o celular vibrava, alguém batia na porta. Vapor bom é assim: vê tudo, ouve tudo, fala pouco e fala certo. Eu não precisei sair da minha sala nenhuma vez pra saber por onde ela andava. O morro inteiro tava me contando a história em tempo real. — Chefe, ela virou no beco da padaria. — Entrou na farmácia. — Saiu agora. — Parou pra falar com a dona Lurdes. — Tá descendo sentido viela três. Cada aviso vinha seco, direto, sem opinião. Só o fato. E eu juntando tudo na minha cabeça como quem monta um quebra-cabeça. A Gabriela não andava como quem tá fugindo, nem como quem tá tramando. Andava devagar, às vezes parava, respirava fun

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