Gabriela narrando O carro seguia pela estrada levantando poeira, e a cada metro que a chácara ficava para trás meu peito apertava. Não era saudade, era a sensação estranha de deixar algo inacabado. Seu Zé e dona Rosa tinham sido meu abrigo quando eu não tinha mais nada, nem forças, nem rumo. Ir embora de novo parecia abandono, mas ficar seria condenar eles a um perigo que não era deles. E isso eu não faria. Encostei a testa no vidro frio, respirando fundo. O balanço do carro incomodava minhas costelas ainda sensíveis, lembrando que meu corpo não tinha se recuperado totalmente. Algumas dores não eram nem físicas, eram memórias que se manifestavam quando eu menos esperava. Fechei os olhos por um instante e vi flashes daquela estrada, do sangue escorrendo, do gosto metálico na boca, do si

