Maya Narrando Quando a Nicoly saiu da minha sala, eu soltei o ar devagar, como se meus pulmões estivessem cheios demais há tempo. Fiquei alguns segundos parada, encarando a porta fechada, tentando organizar a cabeça. Enquanto ela estava ali, toda preocupada em não engravidar do “homem dela” namorado, marido, sei lá o que ela chamava aquilo, esse mesmo homem tinha passado a noite estirado na minha cama, nu, bêbado, inconsequente. Só de lembrar, meu estômago embrulhava. Balancei a cabeça, como se isso fosse apagar a imagem da minha mente. Não apagou. A lembrança da noite passada vinha em ondas: o Cobra na porta da minha casa, a postura agressiva, o tom de cobrança como se eu devesse satisfação da minha vida. Aquilo ainda me revoltava. Quem ele pensava que era pra falar comigo daquele jei

