Gabriela narrando Depois que o Morte saiu pra boca, a casa ficou num silêncio estranho, daqueles que não chegam a incomodar, mas também não trazem paz. Eu esperei ouvir o barulho do portão lá fora, os passos se afastando, e só então me levantei devagar da cadeira. A cozinha ainda estava do jeito que eles tinham deixado mais cedo: copos espalhados, prato com resto de comida, o cheiro do café misturado com gordura fria. Era uma bagunça pequena, mas suficiente pra me lembrar que, de alguma forma, aquela também já era a minha bagunça. Dom apareceu do meu lado quase sem fazer barulho, dizendo que ia me ajudar. Não foi surpresa. Ele vinha tentando ser diferente, mais presente, mais atento. Enquanto eu ensaboava os pratos, ele ficava secando e guardando, tudo meio desajeitado, mas com uma vonta

