Nicoly Narrando Eu saí daquele posto de saúde com o sangue fervendo, a cabeça latejando e a sensação amarga de que, no final de tudo, a errada da história ia ser eu. Sempre eu. A doutora vagabunda, toda certinha por fora, com aquele jaleco branco fingindo profissionalismo, dando em cima do meu homem, e ainda assim quem ia sair como louca, agressiva, descontrolada… era eu. Porque nesse mundo funciona assim: a mulher que defende o que é dela vira problema. A que atravessa limites, se esconde atrás de diploma e sorriso falso, vira vítima. Entrei em casa batendo a porta com força, sem me importar se alguém ia ouvir. Joguei a bolsa no sofá como se ela tivesse culpa de alguma coisa e subi as escadas arrancando a roupa pelo caminho. Cada peça que eu tirava parecia aliviar um pouco o aperto no

