Larissa Narrando Eu saí de perto dele com o rosto queimando de ódio e vergonha. Marmita. A palavra ficou ecoando na minha cabeça como um tapa. Eu sabia que o Dom era abusado, sempre foi, mas ouvir aquilo, daquele jeito, na frente de gente que eu nem conhecia direito, foi humilhante demais. Respirei fundo pra não chorar ali mesmo. Não ia dar esse gosto pra ninguém. Voltei a sentar no banco duro do posto, cruzando as pernas e os braços, tentando manter a pose. Por dentro eu estava despedaçada. Não era só pelo Morte estar em coma. Era por perceber, de uma vez só, o lugar exato que eu ocupava na vida dele. Ou melhor, o lugar que os outros achavam que eu ocupava. Talvez eu sempre soubesse, lá no fundo, mas nunca quis admitir. Agora estava escancarado. Fiquei observando o entra e sai da UTI,

