Cobra Narrando Saí da sala do Morte com a cabeça fervendo. Ele sempre teve esse dom de falar as paradas certas do jeito errado, como se enfiasse o dedo bem no meio da ferida só pra ver se dói mesmo. Mas dessa vez eu não ia dar o braço a torcer. Esse papo de eu estar afim da doutora era viagem demais. Eu estava bêbado, só isso. Falei merda, perdi a linha, acontece. Entrei na minha sala e bati a porta. Me joguei na cadeira, puxei a gaveta e peguei outro baseado. Minhas mãos tremiam um pouco, não sei se era da raiva, da dor na costela ou da ressaca moral da noite passada. Acendi, puxei fundo, soltei a fumaça devagar, tentando acalmar a mente. A costela doía pra caralh.o mesmo. Cada vez que eu respirava mais fundo, parecia que tinha alguém enfiando uma faca ali. O soco do Leozinho foi mais

