Morte narrando Depois que saí da casa da Larissa, taquei marcha pra minha goma. Não olhei pra trás. Nunca olho. Se eu começo a pensar demais, a cabeça vira um campo minado. Preferi deixar o vento bater no rosto, a moto rasgando a rua, o barulho do motor abafando qualquer pensamento que tentasse me puxar pra trás. Quando cheguei, subi direto pro quarto do Dom. E ali parecia até que eu tinha entrado em outra casa. O quarto tava arrumado de um jeito que não era comum: cama feita, brinquedos guardados nos lugares certos, nada espalhado pelo chão. O celular dele carregando do lado da cama, certinho, como se alguém tivesse passado ali antes de mim e organizado tudo com cuidado. O moleque tava dormindo pesado, respiração tranquila, abraçado no travesseiro. Cheguei perto e passei a mão no cabe

