Cobra Narrando Meu intuito era ir direto falar com a Maya. Eu precisava pedir desculpas, olhar na cara dela, ver se ela tava bem. Nem que fosse pra ouvir um “some daqui” ou a porta bater na minha cara. Eu merecia. No fundo, eu sabia disso. O mínimo que podia acontecer era ela não abrir a porta. O máximo… bom, ela é médica, né? Deve saber matar mais rápido do que eu. Mesmo assim, eu ia. Mas meus planos mudaram assim que virei a esquina do posto. O rádio chiou, a voz do Morte seca, direta, do jeito que só ele fala quando a coisa é séria. — Cobra, chega na boca. Agora. Respondi que em cinco minutos eu tava lá e mudei o caminho na hora, apressando o passo. Foi só aí, andando rápido, que a merda toda caiu de vez na minha cabeça. Eu tinha descido a madeira na Nicoly com gosto, e ainda trou

