Maya narrando O corpo do Morte estava um desastre. A camisa encharcada, o cheiro metálico forte, o sangue escorrendo pela lateral da maca e pingando no chão como se o tempo estivesse vazando dele. A Ivone já tinha pressionado a perna, improvisando o que dava pra improvisar no caminho. — Artéria femoral atingida — ela falou rápido. — Se a gente perde mais um minuto… — Não vai perder — cortei, pegando o bisturi. — Não comigo aqui. Cada movimento era instinto. Compressa, pinça, pressão. O sangue parecia não ter fim. Eu sentia o suor escorrendo pela nuca, mesmo com o ar gelado da sala. O monitor apitou irregular, denunciando o quanto o coração dele estava no limite. Quando abrimos a barriga, o cenário foi pior do que eu esperava. A bala não tinha saído. Estilhaços espalhados, órgãos ferid

