Cobra narrando Desde o dia que eu vi a Maya naquele pijama, minha mente virou um inferno. Um inferno gostoso e maldito ao mesmo tempo. Aquela imagem não sai da minha cabeça por nada. Não importa o quanto eu tente ocupar o dia, resolver treta, gritar com vapor, conferir carga, contar dinheiro. Sempre que eu fecho o olho por meio segundo, lá tá ela. O cabelo meio bagunçado, o tecido marcando o corpo, aquele jeito distraído que ela nem imagina o efeito que causa. E o pior de tudo é que parece que o morro inteiro conspira contra mim. Todo canto que eu vou, eu trombo com ela. No posto, na rua, passando apressada, falando com alguém. E nem precisa tá com pijama mais. Vestida, de jaleco, de roupa simples… f**a-se. Minha cabeça insiste em despir ela sozinho. Sempre volta praquele pijama maldito.

