Walter Narrando O dia do sepultamento amanheceu cinza, pesado, como se o céu soubesse que ali não havia nada a ser celebrado. Chovia fino, aquela chuva irritante que não cai de uma vez, mas também não para, deixando tudo úmido, frio, desconfortável. Combinava perfeitamente com o buraco que tinha se aberto dentro de mim. O caixão da Flávia estava coberto de flores brancas. Brancas demais. Inocentes demais para alguém como ela. Olhar para aquilo me dava náusea. Não porque eu não a amasse, eu amava, do meu jeito torto, obsessivo, mas porque aquele final não fazia sentido. Não daquele jeito. Não naquele dia. Era pra ser nossa lua de mel, não enterro. As pessoas se aproximavam, diziam palavras vazias: — Meus sentimentos, Walter. — Ela era uma mulher incrível. — Que tragédia… Eu apenas a

