Gabriela narrando Respirei fundo quando o Dom terminou o almoço e empurrou o prato pra frente, como se tivesse feito um favor pro mundo inteiro só por comer. Aquele menino tinha um jeito de olhar que me deixava desconfortável, como se estivesse sempre avaliando tudo, calculando alguma coisa. Sete anos. Sete. E já carregando um peso que não era de criança nenhuma. Ele limpou a boca com a manga da blusa e virou pra mim, do nada. — Quero ir no posto ver o meu tio de novo. Eu pisquei algumas vezes antes de responder. Não era exatamente um pedido. Nunca era. — Tá bom — falei, escolhendo não comprar briga logo cedo. — Mas antes a gente vai passar na minha casa. Preciso tomar um banho e trocar essa roupa. Ele franziu a testa na hora, como se eu tivesse dito o maior absurdo do mundo. — Não

