Nicoly narrando Dois meses depois. Graças a Deus, livre daquela muleta horrorosa. Parece até mentira quando eu olho pra trás e lembro de tudo que passei. Foram mais de trinta dias com gesso nas pernas, dependendo de todo mundo até pra ir ao banheiro. Depois veio a fisioterapia, dolorida, cansativa, humilhante às vezes. Cada passo parecia uma batalha. E quando achei que tinha acabado, ainda veio a muleta, como um lembrete constante de que eu ainda não estava inteira. Mas agora não… agora eu ando sozinha. Mancando um pouco ainda, é verdade, mas livre. E nesses dois meses, se tem alguém a quem eu sou eternamente grata, essa pessoa é a Larissa. Se não fosse ela, eu sinceramente não sei o que teria sido de mim. Sem trabalho, sem renda fixa, com as contas acumulando e a cabeça cheia de medo.

