Maya Narrando Eu dei graças a Deus quando o meu plantão finalmente encerrou. Já não aguentava mais. Cada vez que um paciente entrava na sala eu sentia os olhares pesando em cima de mim, alguns cheios de pena, outros de curiosidade m*l disfarçada. As perguntas vinham com cuidado excessivo: “Você tá bem, doutora?” Todo mundo ali tinha visto a confusão, ouvido os gritos, visto eu no chão. E por mais que ninguém dissesse nada diretamente, o julgamento estava no ar. Desliguei o computador com um suspiro cansado, peguei minhas coisas e saí do posto o mais rápido que consegui. Só parei um segundo pra me despedir da Ivone, que me olhou com aquele jeito de mãe preocupada e apertou meu braço de leve. Não consegui falar muito. Se abrisse a boca, eu ia chorar de novo. Eu só queria minha casa. Minh

