Capítulo 16

1212 Words
Sophie ficou em silêncio. Não era recusa. Era suspensão. O pedido dele ainda ecoava no ar e ela não conseguia responder porque, naquele instante, qualquer palavra parecia pequena demais para o tamanho do que sentia. Nicholas deu um passo à frente. Depois outro. Não havia agressividade no gesto, mas havia urgência. Um tipo de desespero contido, como se ele estivesse à beira de algo que não sabia nomear, só sentir. — Eu não sei explicar o que tá acontecendo aqui dentro — disse, baixo, a voz rouca. — Mas beijar você hoje... — engoliu em seco — foi o ponto alto do meu dia. Ela ergueu os olhos para ele. E ficou presa ali. O olhar dele a mantinha imóvel, firme, como se qualquer movimento fosse impossível enquanto ele a observasse daquele jeito. Nicholas se aproximou mais, devagar, dando tempo, mas sabendo que ela não iria fugir. Nunca fugia. A boca dele roçou na dela. Não beijou. Só ficou ali, próximo o bastante para que ela sentisse a respiração quente, o cheiro dele, a promessa no ar. — Eu te desejo como um louco, Sophie — murmurou. — E isso... isso me assusta. As mãos dele deslizaram para a cintura dela, firmes, possessivas sem serem duras, puxando-a para mais perto até não haver espaço algum entre os corpos. Sophie sentiu. Sentiu tudo. O calor. A pressão. A certeza física de que ele estava ali, inteiro. A boca de Nicholas desceu lentamente pelo rosto dela, pelo maxilar, até o pescoço. Beijou ali com fome contida, os lábios quentes contrastando com a barba por fazer, que arranhava de um jeito deliciosamente provocante. Sophie virou o rosto sem perceber, oferecendo mais espaço. — Nick... — gemeu baixo, incapaz de controlar o som. O nome saiu como um pedido. As mãos dele apertaram um pouco mais sua cintura, mantendo-a colada ao corpo dele enquanto a boca explorava o pescoço dela com mais intenção. Cada beijo era lento, profundo, como se ele quisesse memorizar aquela pele. O corpo dela respondeu antes que a razão pudesse intervir. Ela levou as mãos ao peito dele, sentindo o coração acelerado sob a camisa, o ritmo irregular, tão fora de controle quanto o dela. Um arrepio percorreu-lhe a espinha quando ele voltou a subir, os lábios encontrando os dela finalmente. O beijo veio intenso. Faminto. Não havia delicadeza ali, só necessidade. Lábios se movendo com urgência, suspiros se misturando, a respiração dos dois falhando à medida que o beijo se aprofundava, como se nenhum deles soubesse exatamente onde aquilo ia dar, apenas que não queria parar. Nicholas gemeu baixo quando ela respondeu, o som vibrando entre eles. Sophie sentiu o corpo amolecer, entregue, presa àquele momento que parecia existir fora do tempo. Quando se afastaram, foi por falta de ar, não de vontade. As testas se encostaram. Ele ainda segurava a cintura dela, como se soltá-la fosse impossível. — Isso — murmurou — é o que me faz querer que você vá comigo. Sophie fechou os olhos por um segundo, sentindo o coração martelar forte demais no peito. O silêncio entre eles ficou denso. Pesado. Nicholas ainda a segurava pela cintura, os polegares pressionando a pele descoberta como se precisasse daquilo para se manter ancorado ali. Ele respirava diferente agora. Mais fundo. Mais irregular. O olhar dele desceu, lento, declaradamente faminto, e voltou a subir. Não havia mais tentativa de controle. Só vontade. As mãos dele subiram um pouco mais, explorando com cuidado e necessidade contida, como se estivesse pedindo permissão com o próprio toque. Sophie estremeceu. Não recuou. Não pediu que ele parasse. O corpo dela já tinha escolhido. — Nick... — sussurrou, num aviso que soava perigosamente mais como um convite. Ele fechou os olhos por um segundo, como se estivesse lutando consigo mesmo. — Se eu continuar — murmurou — não vai dar para parar. Ela não respondeu com palavras. Respondeu quando se aproximou mais, colando-se a ele, os braços envolvendo-lhe o pescoço, o gesto simples dizendo tudo o que a boca não conseguia formar. Isso foi o fim. Nicholas a puxou para si e a beijou outra vez, sem pressa agora, mas com uma intensidade que fazia o chão parecer instável. O beijo não era mais sobre urgência, era sobre escolha. Sobre entrega consciente. Ele a ergueu do chão com facilidade, como se ela não pesasse nada, e Sophie soltou um riso curto, surpresa, antes de se agarrar a ele por instinto. Nicholas caminhou com ela nos braços, sem quebrar o beijo, guiado mais pelo tato do que pela visão. Quando a colocou sobre a cama, foi com cuidado demais para quem estava claramente à beira do colapso. Como se, apesar de tudo, ainda quisesse protegê-la. Ele se afastou um segundo. Só um. O suficiente para encará-la. Sophie estava ali, os olhos escuros, a respiração rápida, o corpo inteiro dizendo sim antes mesmo que a mente pudesse duvidar outra vez. Ela estendeu a mão e o puxou de volta. Nicholas pairava sobre ela, sustentando o próprio peso com dificuldade, como se qualquer movimento em falso pudesse fazê-lo perder o pouco controle que ainda restava. Os olhos dele percorriam Sophie devagar, famintos, reverentes ao mesmo tempo. — Eu pensei em você o dia inteiro — confessou, a voz baixa, quebrada. — E agora... agora eu não consigo pensar em mais nada. Ela levou a mão ao rosto dele, sentindo a barba áspera sob os dedos, o contraste delicioso com a pele quente. Nicholas fechou os olhos por um instante quando ela o tocou, como se aquilo fosse demais. — Desde hoje — continuou — desde que eu te vi de verdade... eu quis isso. Quis tocar você. Quis sentir você assim. As mãos dele deslizaram com mais coragem agora, explorando sem pressa, como quem finalmente se permite. Sophie arqueou o corpo ao toque, um suspiro escapando antes que pudesse contê-lo. — Nick... — murmurou, a voz trêmula. O nome foi o que restava dela. Ele se inclinou outra vez, beijando-a com intensidade crescente, um beijo que roubava o fôlego, que desorganizava. O corpo dele se ajustava ao dela como se sempre tivesse sabido onde ficar, cada movimento despertando sensações novas, mais profundas. Sophie se agarrou a ele, as unhas cravando de leve, o corpo inteiro respondendo, pedindo mais sem saber exatamente o quê. O mundo se reduziu àquele espaço pequeno, à cama, à respiração acelerada, aos sons baixos que escapavam dos dois sem permissão. Nicholas gemeu contra a pele dela, o som carregado de desejo puro, e isso foi o bastante para fazê-la estremecer inteira. Tudo ficou intenso demais. Rápido demais. Bom demais. O corpo de Sophie se retesou sob o dele, o ar faltando, o coração disparado, uma onda quente e avassaladora tomando conta de tudo. Nicholas a segurou com força, como se quisesse ancorá-la ali, acompanhando cada reação, cada tremor, completamente entregue ao momento. E quando finalmente pararam, foi apenas porque não havia mais para onde ir. Eles ficaram assim por alguns segundos, respirando juntos, colados, como se ainda precisassem se certificar de que aquilo tinha sido real. Nicholas apoiou a testa no ombro dela, os olhos fechados. — Isso... — murmurou — não é só desejo, Sophie. Ela passou os dedos pelos cabelos dele, ainda sentindo o corpo vibrar. — Eu sei — respondeu, baixinho.
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