Andréia O Edson me olhou de um jeito diferente. Não era só olhar, era um raio laser verde contra azul, que atravessou minha alma sem pedir licença. Senti meu coração dar piruetas e, por um segundo, tive certeza de que ia desmaiar ali mesmo. O povo gritava, enlouquecido: — Beija! Beija! Beija! A mão dele tocou meu rosto com tanta delicadeza que parecia que eu ia derreter no palco. Os olhos dele viajavam entre os meus e a minha boca, e ele foi se aproximando… minha respiração curta, meu coração uma bateria de escola de samba. Estava tudo pronto para acontecer. Mas no último segundo, minhas pernas decidiram por mim: recuei. Dei um passo atrás, arranquei o violão do pescoço e coloquei no suporte. Antes que ele pudesse reagir, virei as costas, mas senti sua mão firme segurando meu braço. —

