Edson O barulho da freada me fez pular de susto. Bati as mãos no capô do carro vermelho na minha frente — um Celta. Mas a maior surpresa não foi o carro, e sim quem estava ao volante: aqueles olhos verdes. Trabalhei o dia inteiro pensando nela. Pela primeira vez em meses, sonhei coisas boas em vez dos meus pesadelos de sempre. Ela era meu remédio. Minha cura. E, ironicamente, quase minha causa de morte de novo. Ela saiu do carro assustada. — Você está bem? — Estou. Só vou precisar de calças novas, talvez. Ela riu nervosa. — Você quase me mata do coração! — Eu? Você que quase me atropelou. — Você aparece do nada, duas vezes em menos de uma semana. Parece uma assombração. Antes que ela reclamasse, entrei no carro pelo lado do passageiro. — Pelo menos aqui dentro você não consegue

