PRÓLOGO

2616 Words
PRÓLOGO: O LADO OPOSTO NARRADO POR: MAITÊ A vida, dizem, é um bisturi. Precisa, fria, capaz de cortar para salvar ou para destruir definitivamente. A minha, até então, era a lâmina mais afiada do hospital, polida sob as luzes frias do centro cirúrgico e o rigor de uma linhagem que não aceitava nada menos que a excelência. Um futuro traçado em linhas retas, diagnósticos certeiros, o cheiro antisséptico da perfeição e o silêncio reverencial dos corredores de mármore. Mas a perfeição, para mim, nunca foi uma conquista; era uma cela de vidro temperado, onde cada movimento meu era vigiado por olhos que não buscavam meu bem-estar, mas a manutenção de uma fachada. Cresci ouvindo sermões sobre leis, ética e a linha invisível que separa o "certo" do "errado". Uma farsa grotesca. Meu pai, o advogado impecável de oratória hipnotizante, e minha mãe, a figura gélida que exalava o perfume caro do desprezo, eram a prova viva de que, por trás dos ternos de corte italiano e das frases polidas em latim, o inferno fervia em fogo alto. Eu era a filha troféu, a herdeira da pose, mas o que corria nas minhas veias era o mesmo fogo que me empurrava para longe de tudo aquilo. Para a beira do precipício, onde o ar é rarefeito e a queda é a única certeza. O asfalto sempre foi um palco seguro, previsível, onde as tragédias são mascaradas por notas de repúdio e seguros de vida. O morro... o morro era o pulsar bruto que a cidade fingia não existir enquanto consumia o que vinha de lá. Era onde a adrenalina não vinha de um desfibrilador em uma emergência controlada, mas de um olhar atravessado, de uma batida de coração que ecoava no grave do som, de um cheiro de pólvora que impregnava as roupas e a alma. Eu não buscava problemas, não buscava o clichê do romance proibido. Eu buscava sentir qualquer coisa que não fosse o vazio anestesiado da elite carioca. Eu buscava o que estava no Lado Oposto de tudo o que eu conhecia, de cada nota dez que tirei na faculdade, de cada jantar beneficente onde eu sorria enquanto minha alma gritava por socorro. E no topo do Complexo do Alemão, existia um homem que personificava esse limite absoluto. Um rei sem coroa, mas com um império de respeito e medo que nenhum juiz do asfalto jamais sonharia em comandar. Eu sabia que ele era o perigo materializado. Eu sabia que ele era tudo o que me foi ensinado a evitar em cada palestra sobre segurança e moralidade. Mas algo na escuridão daqueles olhos me chamava; era uma promessa de um caos que eu, a futura médica brilhante, precisava desesperadamente aprender a diagnosticar para não enlouquecer. Eu estava prestes a jogar meu jaleco imaculado no chão, ignorar o juramento de Hipócrates e me entregar ao batimento mais selvagem da minha vida. E quer saber de uma coisa? Eu não me arrependo de um único segundo. Porque no momento mais difícil da minha existência, quando o meu mundo de cristal se estilhaçou em mil pedaços sob o peso da traição e o sangue do asfalto lavou o mármore frio da minha casa, foi ele quem ficou do meu lado. Não foi o colega de faculdade promissor, não foi o "bom partido" que minha mãe escolheu a dedo. Foi o traficante. O bandido que a sociedade diz que não se apega. O cara que todos pintavam como um monstro sem alma, o puro veneno das estatísticas criminais. Mas no meio do meu colapso, o abraço dele foi o único lugar que não desmoronou. Onde o asfalto me deu as costas, o morro me estendeu a mão. A vida é ironia pura, uma piada de mau gosto contada por um Deus que gosta de sarcasmo. Eu, Maitê, a futura cirurgiã que deveria estar costurando feridas e salvando vidas, acabei sendo salva justamente por quem, em tese, as causava. Victor Hugo, o VK, o dono da gestão, o terror absoluto do Alemão. Ele não é o herói dos livros de romance que as meninas da minha antiga classe leem escondidas; ele não é o príncipe que chega em um cavalo branco para te levar para um castelo. Ele chega de moto, rasgando o silêncio da noite, com o fuzil atravessado no peito como se fosse uma extensão do próprio corpo e um cheiro de poder que impregna até o último fio de cabelo. Eu via o medo paralisar os olhos das pessoas quando ele passava, um respeito que beirava a adoração religiosa. Eu ouvia os sussurros sobre o seu lema, aquela frase que ele carregava como um escudo de ferro: "Pegar e não se apegar". Era o mantra dele, a lei de sobrevivência que o mantinha vivo no topo de uma hierarquia onde qualquer fraqueza é uma sentença de morte. Mas quando nossos olhares se cruzaram pela primeira vez, no meio daquele baile lotado, onde o calor humano era sufocante e o grave do funk fazia meu peito vibrar mais do que qualquer monitor cardíaco que já operei, eu soube. Eu soube que ele ia quebrar todas as suas leis por mim, assim como eu ia quebrar todos os meus juramentos e privilégios por ele. Olha para mim agora. Esqueça a imagem da "doutora" que o asfalto tentou moldar com suas mãos de ferro e hipocrisia. Não sobrou absolutamente nada dela. Aquela menina que baixava a cabeça para o tom de voz arrogante e castrador da Sofia morreu no mesmo dia em que o Daniel caiu com dois furos no peito no chão daquela mansão maldita, enquanto o champanhe ainda estava gelado nas taças de cristal. A gente era a "família perfeita" das capas de revista, não era? Que piada de mau gosto. Por trás das fachadas de mármore travertino e dos jantares regados a vinhos que custavam o salário anual de um trabalhador honesto, o que existia era uma podridão que nem o perfume mais caro do mundo conseguia esconder. Minha mãe não é uma mulher, é um monstro de gelo, uma entidade desprovida de qualquer empatia que usa o Direito como uma arma de destruição em massa para aniquilar quem ousa cruzar o caminho dela. Ela nunca me amou; o conceito de amor para Sofia é uma fraqueza que ela não se permite ter. Eu era apenas um acessório, uma extensão do ego dela para combinar com as bolsas de grife e os carros importados. Se eu não fosse a médica famosa, a herdeira do prestígio, eu não servia para nada. A falta de amor de mãe é uma ferida profunda, uma hemorragia interna que bisturi nenhum no mundo consegue operar. Sofia nunca soube o que era me ninar, nunca soube o que era perguntar se eu estava bem sem querer saber, primeiro, se eu tinha sido a melhor da turma ou se eu tinha feito os contatos certos. Para ela, eu era um projeto de investimento a longo prazo. O afeto dela era uma moeda de troca, condicionado estritamente ao meu desempenho social. Crescer com uma mãe que te olha como se você fosse uma peça de decoração defeituosa te molda de um jeito torto, te deixa com uma sede de aprovação que nunca é saciada, até que o cansaço vira um ódio visceral. Sofia é o tipo de pessoa que te abraça conferindo discretamente se o seu relógio é de marca, enquanto a mente dela, fria e calculista, já está arquitetando como te usar como peça de sacrifício na próxima jogada política ou social. E o meu pai... pobre Daniel. Um homem fraco, uma sombra que viveu acovardada sob a bota de uma psicopata até que ela decidiu que o prazo de validade dele tinha expirado. Ele era a ausência em pessoa, um fantasma que habitava a mesma casa mas vivia em outra dimensão. Eu via meu pai nos porta-retratos editados, nas colunas sociais mentirosas, nos discursos empolados e vazios que ele proferia em tribunais, mas nunca o vi presente nos momentos em que eu realmente precisava de um pai, de um norte, de uma proteção. A ausência dele doía muito mais que as críticas ácidas da Sofia, porque o silêncio dele era a concordância tácita com todo o abuso psicológico que eu sofria diariamente. Daniel se escondia atrás de pilhas de processos e reuniões intermináveis para não ter que encarar a realidade devastadora de que a mulher dele estava destruindo, pedaço por pedaço, a sanidade da única filha que eles tinham. Daniel era um covarde de terno e gravata. Um homem que preferia a paz de uma mentira bem contada do que o barulho necessário de uma verdade libertadora. Eu vivia em um hospital psiquiátrico disfarçado de lar de luxo, onde as paredes eram decoradas com obras de arte mas o ar era irrespirável. A cada dia que passava naquele asfalto silencioso e hostil, onde as pessoas se matam com palavras cortantes e sorrisos de porcelana, eu sentia minha alma murchar como uma planta sem sol. Eu precisava de algo real, algo que não pudesse ser comprado ou simulado. Precisava de algo que fizesse meu sangue correr tão rápido que eu não conseguisse ter tempo para pensar na farsa que era a minha existência dourada. E aí eu subi. Subi o Alemão com a cara, a coragem e o desespero de quem não tem mais nada a perder. Conforme a ladeira subia, eu sentia o ar mudar; ele se tornava mais denso, mais vivo. O cheiro de lixo acumulado, de esgoto aberto e de pólvora queimada era infinitamente mais honesto e acolhedor do que o cheiro de lavanda artificial da minha casa de bonecas. Ali, naquele labirinto de tijolo aparente, ninguém fingia ser o que não era. Se o cara queria te matar, ele apontava o ferro e você sabia exatamente onde pisava. Se ele gostava de você, ele te abraçava com a força de quem sabe que aquele pode ser o último abraço. Sem letras miúdas em contratos, sem processos judiciais intermináveis, sem a falsidade nojenta da elite que te esfaqueia pelas costas enquanto elogia seu vestido. Quando pisei naquele baile funk pela primeira vez, eu senti que o mundo, até então em preto e branco, finalmente tinha ganhado cor. O grave batendo no chão, as luzes de neon riscando o céu escuro, a energia vibrante de uma multidão que vive cada segundo como se não houvesse amanhã porque, para muitos ali, realmente não havia. E lá em cima, no camarote que dominava a visão de tudo, estava o Victor. A primeira vez que nossos olhares se encontraram, eu não senti borboletas no estômago; eu senti um soco, um impacto que reordenou todos os meus átomos. Não foi "amor à primeira vista" no sentido romântico da palavra; foi reconhecimento de alma. Eu vi nos olhos dele a mesma escuridão abissal que eu tentava esconder debaixo do meu jaleco branco todos os dias. Ele era o rei daquele caos, o dono da gestão que fazia o asfalto tremer de medo só de ouvir o vulgo: VK. Um homem que foi forjado no fogo da necessidade e aprendeu cedo demais que no morro, se você não for o predador dominante, você inevitavelmente vira a caça. Ele tinha aquele lema de não se apegar porque, no mundo dele, cada mulher era um ponto cego, um risco desnecessário, uma fraqueza que os inimigos poderiam explorar. Mas quando eu sustentei o olhar dele sem desviar, quando eu entrei no domínio dele com a marra de quem já tinha perdido a própria identidade e não temia mais a morte, eu vi a muralha de gelo dele trincar em tempo real. O asfalto me chama de traidora, de louca, de "p**a de bandido". Meus antigos "amigos" de faculdade me olham com um nojo m*l disfarçado, sentindo-se superiores em suas bolhas de segurança ilusória. Eles não entendem nada. Eles não entendem que o bandido que eles tanto temem e demonizam foi o único que teve a hombridade de limpar o sangue do meu rosto quando a minha própria mãe tentou me destruir emocional e fisicamente. Ele foi o único que me ofereceu um teto seguro e um abraço verdadeiramente sincero quando o resto do mundo só queria saber como o escândalo da minha família ia afetar o valor das ações na bolsa. Victor é o meu lado oposto em tudo, mas ele é a única coisa verdadeira e sólida que eu já tive em toda a minha vida de aparências. Eu não era mais a "filha do Dr. Daniel", o projeto de sucesso da Sofia; eu era a mulher do VK, a Doutora do Morro. A ironia suprema é que eu estudo para salvar vidas, dedico horas a fio ao conhecimento da cura, e me apaixonei perdidamente pelo homem que, por ofício e sobrevivência, as tira. Mas quem somos nós, meros mortais pecadores, para julgar? No asfalto eles matam lentamente com a ponta de uma caneta montblanc, deixando a alma sangrar por anos em agonia silenciosa. No morro, o papo é reto, olho no olho. Eu escolhi o meu lado dessa guerra. Escolhi o perigo constante, escolhi o fuzil como sentinela do meu sono, escolhi o homem que o mundo chama de monstro, mas que para mim é o único que possui um coração que bate de verdade, sem filtros, sem máscaras. Prepara o teu psicológico, porque a história que eu vou te contar agora não tem filtro de i********:, não tem a polidez hipócrita das salas de cirurgia nem a falsidade ensaiada dos tribunais. É a história crua e sangrenta de como a doutora se perdeu nas vielas do morro e descobriu que o inferno é muito mais quente, vibrante e acolhedor do que o céu de vidro temperado do asfalto. É a história de Maitê e Victor. O Lado Oposto onde o amor nasce entre o som do tiro de advertência e o beat pesado do funk de comunidade. A farsa acabou, as luzes da mansão se apagaram para sempre. O bisturi agora corta para tirar a podridão do meu passado e abrir caminho para um futuro incerto. E o VK? Ele é a cura que nenhum livro de medicina da minha biblioteca caríssima ousou descrever. Onde todos veem apenas o caos e a violência, eu vejo o meu único e verdadeiro porto seguro. 🔥 O LADO OPOSTO – EM BREVE! 🔥 Vocês acham que conhecem a vida da elite, né? Mas a verdade é que o mármore daquela mansão esconde segredos que fariam qualquer um tremer. Maitê tinha tudo o que o dinheiro podia comprar, menos o que ela mais precisava: a verdade. Por que o pai dela, o Dr. Daniel, morreu de forma tão brutal? Quem realmente puxou o gatilho enquanto o champanhe ainda estava gelado? E por que a mãe dela, a gélida Sofia, nunca soube dar um abraço de verdade, tratando a própria filha como uma peça de xadrez? Os segredos da família perfeita estão prestes a sangrar, e a única cura para a Maitê está no lugar mais improvável do Rio de Janeiro. Nos braços de Victor, o VK, o bandido que jurou nunca se apegar, mas que vai quebrar o morro inteiro para proteger a sua doutora. 📢 AVISO IMPORTANTE: Quer descobrir quem armou a execução do Daniel? Quer entender o passado sombrio da Sofia e como a Maitê vai sobreviver no meio da guerra do Alemão? Então segura a ansiedade, porque o bagulho vai ficar doido! 🗓️ LANÇAMENTO OFICIAL: 12 de Fevereiro. ✍️ ATUALIZAÇÕES DIÁRIAS: Com capítulos de tirar o fôlego e muita marra. 📚 ADICIONE AGORA NA SUA BIBLIOTECA para não perder nenhuma notificação! Vem comigo mergulhar no Lado Oposto. A farsa acabou, e agora o papo é reto. 🚀💥
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