NARRADO POR: MAITÊ Eu deslizei o tecido vermelho pela pele dentro daquele provador luxuoso da Gucci, mas o toque da seda gelada pareceu um insulto ao calor que ainda emanava do meu corpo. Eu me encarava no espelho triplo e a imagem que voltava era a de uma estranha. O vestido era uma joia, um tomara que caia que custava o preço de um carro popular, mas quando eu vi o meu reflexo, algo em mim deu um nó de puro ódio. Eu estava ali, sendo moldada por um pano que gritava "Barra da Tijuca", tentando parecer a boneca de porcelana que a Sofia sempre quis expor na estante da sala. — Que p***a é essa? — Resmunguei sozinha, sentindo o zíper repuxar nas minhas costas. — Tá parecendo que eu vou pra um baile de debutante atrasado, querendo agradar playboy que não sabe nem abrir um champanhe sem se co

