NARRADO POR: VICTOR "VK" O asfalto da Linha Amarela fritava sob os pneus da XT, e o mormaço que subia do piche parecia alimentar o demônio que tava pilotando o meu juízo. O vento quente batia na minha cara, mas o que fervia mermo, num nível nuclear, era o ódio. Parei a moto num recuo deserto, um ponto cego estratégico onde a luz do sol não batia direito por causa da sombra pesada do viaduto. Era o cenário perfeito pra um abate psicológico. O Bruno encostou logo atrás, a poeira subindo e sujando o brilho das naves, e me jogou a máscara de palhaço. Peguei o plástico no ar, sentindo a textura fria e morta daquele sorriso pintado que ia ser a última coisa que a madame ia querer ver na vida. Fiz um sinal seco, de comando mermo, pro bonde manter distância. Não queria comboio gritando no ouvido

