NARRADO POR: VICTOR (VK) Estacionei a XT 660 na porta da boca principal, o motor estalando com o calor infernal do meio-dia enquanto a poeira subia e desenhava o caos que eu chamo de reino. O movimento já tava frenético, papo de formigueiro humano na atividade; os moleques da contenção de um lado pro outro, os radinhos fritando naquela estática que é a única melodia que acalma meus nervos, e o cheiro de asfalto quente se misturando com o cheiro da carga, do óleo de motor e da pólvora invisível que flutua no ar do Alemão. Desci da moto com o fuzil atravessado no peito, sentindo o peso do ferro como se fosse uma extensão do meu braço. A marra é de quem não precisa de despertador pra ditar o ritmo da favela; o meu relógio é o pulso da rua e o medo nos olhos dos comédia. O BR tava lá, encost

