— Eu disse que vou, Maitê. E se eu dei a minha palavra, eu vou estar lá na primeira fila — ele falou com aquela voz de autoridade de tribunal que não aceita réplica nem desaforo. Ele se aproximou devagar e tirou uma caixinha de veludo azul do bolso do paletó, me entregando em silêncio. Abri devagar, com as mãos ainda trêmulas, e meu coração deu um solavanco de pura emoção. Era um cordão de ouro branco com um pingente de estetoscópio cravejado de diamantes negros e brancos. Discreto, absurdamente caro e lindo. Minha guarda baixou na hora. O ódio deu uma trégua e eu senti meus olhos marejarem de verdade. — Pra minha doutora favorita. Pra mulher que vai dar orgulho a esse sobrenome de um jeito que eu nunca consegui — ele disse, dando um meio sorriso triste. — Obrigada, pai... — Sussurrei,

