CABEÇA NARRANDO Mano, cê não tá ligado o caos que foi o dia. Quando o bagulho estourou, já sabia que o bïcho ia pegar. O som das rajadas ecoava por tudo, e a sensação era de que cada tiro poderia ser o último. Eu tava no meio do fogo cruzado, só com a minha pistola e a munição que restava. A troca era intensa, os moleques do bonde já estavam na linha de frente comigo desde o começo, segurando a onda. Mas, a real é que as balas não duram pra sempre, né? Chegou uma hora que eu percebi que não tinha mais nada na minha mão. O tambor girou vazio, e não era só eu. Os moleques que tavam junto também tavam zerados. Olhei em volta, vendo a rapaziada se ajeitando atrás dos carros, tentando achar cobertura, mas já era. Todo mundo sem munição e o barulho dos tiros continuava, como se o inferno tive

