NENÊ NARRANDO Eu já tinha visto muita coisa nesse mundo, mas nada se comparava ao caos que se desenrolava bem diante dos meus olhos. Hosana estava lá, ajoelhada no chão frio e sujo, segurando o corpo da filha como se pudesse colar de volta o que eu já tinha arrancado. A cabeça da vadïa, com os olhos vidrados e a boca entreaberta, estava jogada ao lado, e o som dos gritos de Hosana ecoava nas paredes, fazendo o ar vibrar. Ela berrava, berrava tanto que a voz dela já estava rouca, mas ainda assim, ela não parava. E eu só observava, sem sentir nada além de uma satisfação doentia, porque a dor dela era o meu combustível, e eu me alimento disso. Mas aí ela parou de gritar e olhou pra mim. Aqueles olhos cheios de ódio, brilhando com um tipo de raiva que eu conheço muito bem, porque é a mesma

