NENÊ NARRANDO Quanto mais aquele moleque chorava, mais meu ódio crescia. Era quase uma delícia ver o desespero dele, as lágrimas rolando e a voz tremendo. Ele ficava repetindo o nome da Isabela como se ela fosse resolver aparecer só porque ele tava ali, chorando que nem um bebê. Mas ele não entendeu bem, então resolvi berrar pra ver se ele entende de vez e tira o nome do meu Anjo da boca. — Cadê a Isabela? — ele choraminga. Cada vez que ele abria a boca, a Bësta Fera dentro de mim rugia mais forte, querendo sair, rasgar meu peito e engolir esse moleque idïota. Ele não entendia nada. — Isabela é minha! Eu já falei isso mil vezes — mas parece que o idïota não consegue entender. Eu já não aguentava mais. Meu corpo tremia de tanto ódio, as veias saltando, o sangue fervendo nas minhas

