Eliza Martínez

1033 Words
Que raiva da Joice, ahh! Já falei várias vezes para ela parar de trazer essas piranhas aqui para nossa casa. Desculpa, gente, por isso, mas, cara, ela consegue me deixar irritada — incrível isso, sério. Vou me acalmar, ok? Olá, sou a Eliza Martinez, tenho 21 anos e faço faculdade de arquitetura. Moro com a desmiolada da Joice — isso vocês já devem ter percebido, né? Deixa eu contar como eu sou: ruiva! Sou apaixonada pelo meu cabelo, que é ruivo, ondulado e longo. Meus olhos são castanhos claros e tenho algumas sardas no rosto, que acho um charme. Tenho s***s fartos e uma tatuagem de coração no peito, um pouco acima dos meus s***s. Minha altura é 1,65 m e sou um pouco cheinha. No momento, estou solteira. Tem um carinha da facul que vive me cercando, sabe? Antony. Sinceramente, ele até é legalzinho, mas só isso. Joice fica louca quando ele chega em mim na facul, sabe? Sempre me identifiquei como hétero, mas, de uns tempos pra cá, ando meio confusa em relação a isso, sabe? Tive dois namoros sérios, mas nenhum durou muito tempo. Conheci a Joice na escola, quando tínhamos 16 anos. Ela era nova na escola onde eu estudava. No começo, ela foi bem irritante — e, para ser sincera, continua sendo até hoje. Mas, honestamente, conhecer ela foi uma das melhores coisas que me aconteceram. Joice sempre foi muito companheira e fiel. Sempre que precisei, ela estava ali do meu lado, me dando atenção e apoio. Cara, ela sem dúvidas é uma pessoa maravilhosa, sabe? Não consigo mais viver longe dela. Apesar da gente brigar bastante, eu simplesmente não consigo ficar longe. Ela foi uma das poucas pessoas que não me julgou por eu ter duas mães, e nem sequer me tratou m*l, como as outras pessoas faziam. O preconceito por ter duas mães sempre foi difícil de lidar, mas com a Joice do meu lado, isso ficou muito mais fácil. Sabe, teve um momento em que achei que a gente ia se separar. Foi no final do último ano do ensino médio. Eu sempre quis fazer arquitetura. Desde pequena, já sonhava em ser arquiteta — desenhava casas, pequenos edifícios... A Joice nunca demonstrou interesse nessa área. Ela sempre disse que queria fazer Artes Plásticas. Chegou a se inscrever numa escola de artes em Nova York. Ela ia mesmo para lá... um lugar bem longe de onde moramos: New Haven. Eu não queria ir para longe. Já tinha feito minhas inscrições para as faculdades daqui — a New Haven University e a Havenridge University. Até que, no dia da nossa formatura, depois de pegar o diploma, minhas mães convidaram a família da Joice para comemorar em casa com a gente. Teve um momento em que fiquei sozinha no quintal, no finalzinho da tarde. O céu estava pintado de laranja e rosa, e eu estava mergulhada nos meus pensamentos, sentindo aquele aperto no peito. Foi quando a Joice apareceu do nada, com aquele sorriso que só ela tem, e colocou uma caixa colorida — de tamanho médio — no meu colo. Ela apenas disse, com aquele brilho nos olhos: — Abre. Quando levantei a tampa, encontrei um envelope. Meu coração quase parou quando vi o nome dela e o nome da New Haven University — a mesma universidade que eu tinha escolhido. Comecei a chorar antes mesmo de ler. Quando abri o envelope, lá estava a carta de admissão da Joice... para cursar arquitetura. Arquitetura. Eu não conseguia acreditar. E, logo embaixo do envelope, havia um desenho. Um dos que fizemos juntas, tempos atrás. Era o esboço de um prédio — o nosso prédio. O sonho que a gente nem sabia que estava construindo desde sempre. Naquele instante... eu simplesmente não consegui dizer uma palavra. A garganta travou, o coração disparou, e as lágrimas só caíam sem controle. Era tanta emoção, tanta alegria, tanto alívio por saber que eu não ia ficar longe da minha maluquinha. Ela ficou ali parada, me olhando com aquele sorrisinho torto — o mesmo que sempre aparecia quando ela estava tentando disfarçar a emoção. Então, sem pensar, eu me levantei da cadeira e abracei ela com toda a força que tinha. Ficamos ali, abraçadas, em silêncio, por longos minutos... como se o mundo inteiro tivesse parado só pra gente existir naquele momento. E foi ali, naquele quintal, com o céu se apagando devagar e as estrelas começando a aparecer, que eu tive certeza: ela era meu lar, meu ponto de paz, minha escolha sem arrependimento. Quando finalmente consegui me acalmar, olhei nos olhos dela e perguntei: — Por que você disse que ia fazer Artes Plásticas e que ia pra longe, se na verdade queria fazer arquitetura aqui comigo? — Eu só queria fazer uma surpresa pra você, minha ruiva esquentadinha — ela disse, sorrindo com aquele jeito meio maroto. — Achei que você fosse mais esperta, hum? Ou nunca prestou atenção nas nossas conversas? — Como é que você esqueceu do nosso prédio? Ela fez uma pausa, o sorriso suavizou, e a voz ficou mais séria: — E sabe de uma coisa? Eu fiz uma promessa pra você, faz tempo. Que, mesmo quando a gente tivesse uma briga daquelas bem feias, eu jamais iria embora. Nunca te abandonaria. — Nunca vou deixar você, minha ruivinha preferida — completou, piscando com carinho. — Mesmo que você me mande ir embora. Eu não resisti e sussurrei, quase tremendo: — Te adoro tanto, minha maluquinha. Ela riu baixinho, apertou minha mão e me puxou pra mais perto, como se a gente fosse uma só naquele instante. Eu achava que já tinha passado por todas as emoções e surpresas daquele dia, mas estava muito enganada. No final do jantar, quando já estávamos todas mais calmas, minhas mães e os pais da Joice fizeram um anúncio que nos deixou sem fôlego: eles haviam comprado um apartamento para nós duas! Foi como se o chão tivesse desaparecido por um instante — eu e a Joice nos entre olhamos, incrédulas e emocionadas, tentando processar aquela notícia inesperada. Aquele apartamento seria o nosso novo lar, o nosso espaço compartilhado, o lugar onde as nossas histórias iriam continuar a se entrelaçar.
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